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sábado, 19 de maio de 2012

Adieu, Paris!

Porém, apesar de todo o seu encanto, o edifício da Ópera não tinha mais como nos segurar: ainda era necessário almoçar, voltar ao hotel para pegarmos as malas e aguardar o ônibus da agência que nos levaria ao aeroporto. O calor também não dava trégua, fazendo com que a expectativa de qualquer coisa gelada nos animasse a seguir para o almoço. Nos despedimos do Palais e seguimos para o ponto em que estavam Rejane e Natália.

 















Encontramos a Carol, o Yuri e o Renan no Cafe Bastille e lá mesmo fizemos nossa última refeição em solo francês. O Ivan aproveitou para saborear um canard (pato) e o Luís encerrou tudo com um belo sorvete.





















Voltamos a pé para o hotel e, conforme havíamos planejado, pegamos as camisetas limpas que havíamos deixado na bagagem de mão para trocar pelas que havíamos usado o dia todo debaixo daquele sol escaldante. Cada um de nós entrou, por sua vez, no banheiro de hóspedes que havia próximo a recepção, dando um jeito de se limpar e refrescar contando apenas com uma pia. Apesar de estarmos sonhando com um banho, foi o que deu pra fazer, e apesar do banheiro ficar "um pouco" alagado (o Luís, último a utilizá-lo, acabou dando uma de faxineiro com o papel toalha e a própria toalha que seria lavada aqui no Brasil), no final estávamos bastante apresentáveis para aguardar o translado para o aeroporto.

No percurso, já começamos a sonhar em quando iríamos voltar, imaginando tudo o que não havíamos visto e todos os lugares que gostaríamos de ver outra vez.


Mesmo não sendo consumistas, todos nós gostamos de comer e beber bem, por isso a visita ao free shop ficou praticamente restrita a queijos, champagne, mostarda de Dijon e chocolate.

Apesar de já estarmos pensando na próxima viagem, o cansaço era tanto que nem reparamos nas 12 horas de voo e além do serviço de bordo, só fomos acordar ao chegarmos em Cumbica.

quarta-feira, 21 de março de 2012

A Ópera de Paris

Da Galeria Lafayette ao edifício da Ópera a distância é bem pequena, mas sob o sol escaldante que fazia, não foi a caminhada mais agradável que fiz em Paris, principalmente porque aquela região é bastante movimentada, não apenas em relação aos carros, mas ao fluxo de pessoas pela calçada. Chegando lá tentei encontrar Luís e Ivan, conforme havíamos combinado... e nada!

Considerando que esperar debaixo de sol não seria a melhor coisa a fazer, paguei o ingresso (bem "salgado", por sinal, o mais caro entre todos os passeios que fizemos) e entrei.

O acesso aos andares superiores é feito por uma grande escadaria dupla, sob a qual há uma estátua e luminárias imitando velas. Impressionante o cuidado com os detalhes, como se percebe pelo teto sobre a estátua que, na verdade, é a parte de baixo do primeiro patamar das escadas.






















A partir da base da escadaria, a vista dos balcões, corredores abertos, colunas, lustres e detalhes decorativos é magnífica.


Impressionante também é o Grand Foyer, aposento destinado a acolher espectadores de todas as categorias sociais.
















Apesar de ter sido inspirado no Salão dos Espelhos de Versalhes, esse Foyer apresenta uma quantidade muito maior de elementos decorativos, o que é característico do estilo eclético, predominante na arquitetura da metade do século XIX ao início do século XX. A própria palavra ecletismo indica a liberdade de escolher o que se acha melhor, seja em arte ou filosofia, "casando" estilos que normalmente seriam incompatíveis. Portanto, a proposta do estilo era a criação de uma nova linguagem arquitetônica elaborada a partir da mistura de elementos dos estilos anteriores.

No caso específico da França, oi desenvolvimento do ecletismo foi responsabilidade das Academias de Belas Artes, e os estilos que compuseram essa nova linguagem foram, predominantemente, os da arquitetura renascentista, barroca e neoclássica. O objetivo era expressar a grandiosidade da época em que se vivia, as conquistas burguesas, as invenções e descobertas científicas que demonstravam a absoluta superioridade do homem branco europeu burguês capitalista sobre quaisquer outras populações, por meio de uma ornamentação que para nós, hoje, é até exagerado.

Vale lembrar que, com as devidas adaptações, esse é o estilo que predomina nos prédios da região central de São Paulo, onde podemos ver um edifício com um arco romano na fachada e janelas com arco ogival no andar de cima.


Mesmo nos pequenos detalhes, como portas internas, pisos e decorações de tetos, é possível perceber o gosto pela ostentação, típico do período em que o edifício foi construído.















Apesar do desejo de conhecer o salão principal, com o enorme lustre que pesa toneladas e a pintura de Chagall no teto, bem como as passagens subterrâneas que insipiraram a narrativa do Fantasma da Ópera, não foi possível fazer nada disso, pois estavam ocorrendo ensaios para um espetáculo próximo e a entrada de visitantes não era permitida.

Além disso, não consegui localizar Ivan e Luís dentro do prédio, o que não teria sido tão difícil, já que o espaço aberto à visitação era bastante restrito. Considerando ainda que havíamos marcado com a Carol e o Yuri, amigos do Ivan, de nos encontrarmos para o almoço, considerei que era hora de partir. Chorando os euros que havia gasto para entrar, acabei me retirando da Ópera sem ver a maior parte do que seria interessante.

Já do lado de fora, encontrei os dois rapazes suando ao sol, mas tendo feito todo um percurso do lado de fora do prédio. Eles acharam que não valia a pena pagar o preço exigido para entrar e se contentaram com as maravilhas que podiam ser apreciadas externamente.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Les Galeries Lafayette

Seguindo nosso caminho em direção ao Opera, passamos por mais uma bela igreja, dessa vez mais parecida com as que vemos aqui em São Paulo, cercada por ruas movimentadas e edifícios comerciais.

Era a igreja da Trindade, perto da qual paramos para verificar, num mapa turístico, se estávamos no rumo certo. Comecei a reclamar que faltava no mapa a tradicional indicação do "Você está aqui", quando ouvi uma voz conhecida dizer em bom português: "Só podia mesmo ser a Iara, brava desse jeito." Todos nós nos viramos pra olhar e foi muito gostoso encontrar um colega de trabalho que estava passeando com a esposa.








Conversa vai, conversa vem, acabamos seguindo nosso caminho e resolvemos nos separar: Rejane, Natália e eu queríamos dar uma olhada nas famosas Galerias Lafayette. Ninguém pretendia comprar nada, que consumismo não é a nossa praia, mas eu tinha ouvido falar que o prédio onde a galeria está instalada possui vitrais maravilhosos. Luís e Ivan decidiram ir diretamente ao edifício da Ópera de Paris e combinamos de nos encontrar por lá.

Ainda bem que nosso foco era mesmo a arquitetura do local, porque o impacto inicial não foi nada positivo. No andar térreo as lojas são verdadeiros stands organizadas em corredores estreitos. Do jeito que o lugar estava lotado, parecia mais uma 25 de março chique. Como meu interesse não eram os produtos à venda, ergui os olhos e fui recompensada com a maravilhosa visão dos detalhes da estrutura e da decoração dos andares superiores.




Os detalhes decorativos são fantásticos, todos de uma delicadeza ímpar, e um excelente trabalho de harmonização de cores.


O domo da galeria é arrematado por um vitral magnífico, cujos detalhes lembram as cores e formas das penas da cauda de um pavão.

















Pra não dizer que não compramos nada, fomos para a sessão de bebidas onde encontrei alguns xaropes que meu sobrinho, formado em gastronomia, utiliza para preparar uns drinques diferentes. Como no Brasil é mais difícil encontrá-los, bem como no free shop, aproveitei para não sair das famosas Galeries de mãos abanando. Tendo comprado tudo o que havia me proposto, resolvi seguir para o Opera. Natália e Rejane ficaram mais um pouco na galeria, xeretando as possibilidades.

O edifício onde funciona a Ópera de Paris é também conhecido como Palais Garnier, em homenagem ao arquiteto que planejou e supervisionou a tumultuada construção do local. A pedra angular do palácio foi colocada em 1861 e a inauguração oficial só ocorreu quatorze anos depois, sendo que, nesse meio tempo, Luís Napoleão tornou-se presidente e depois imperador francês; foi travada a guerra franco-prussiana, com a derrota da França e deposição de Napoleão III, e a Comuna de Paris se instalou e foi brutalmente reprimida.


O letreiro da fachada, indicando Academia Nacional de Músca, deve-se às inúmeras mudanças pelas quais passou o nome do local, de acordo com a organização do poder: império, república, comuna... O nome escolhido antes mesmo da conclusão do edifício foi "Academia Imperial de Músca", alterado para "Teatro Nacional de Ópera" até 1939, quando recebeu o título atual.

A primeira visão do edifício, porém, a partir da Galeria Lafayette, era da parte de trás, por onde era possível ver, ao longe, sobre o alto da empena sul, um grupo escultórico representando Apolo, Poesia e Música, ladeado por dois enormes pégasos de bronze.  

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Montmartre com cereja

Ao voltarmos para a frente da Sacré-Coeur, percebemos que nossos horários de visitação eram mesmo os melhores, pois a quantidade de pessoas que se espalhavam pelas escadarias e pelos jardins era muito maior do que a que havia quando chegamos. A vantagem, porém, do horário adiantado, é que os músicos que se apresentam por lá em troca de algumas moedas já estavam em plena atividade.























Logo abaixo do primeiro patamar, que fica após o último lance de escadas para se chegar á basílica, há três fontes incrustadas em nichos semelhantes a grandes conchas.


E a partir daí, descendo sempre, jardins maravilhosos.

















Nossa próxima parada era o edifício da Ópera de Paris, para onde resolvemos ir a pé, caminhando pelo bairro de Montmartre. Só que, depois da subida de tantos degraus na Sacré-Coeur, precisávamos de mais "combustível", e começamos a procurar algum lugar simpático onde pudéssemos parar pra fazer um lanchinho. Encontramos um restaurante que também servia porções numa das ruas logo abaixo dos jardins da basílica, com mesinhas na calçada sob um toldo que protegia do sol que estava começando a mostrar que aquele seria um dia de verão característico da era do aquecimento global.

Nos acomodamos e pedimos uma porção de pão de alho e queijos, vários queijos. Não apenas porque todos do grupo amam os queijos que aqui no Brasil custam tão caro e lá são tão em conta, mas também porque na bolsa da Rejane estavam os restos mortais dos queijos que havíamos comprado para o piquenique no quarto do Luís, alguns dias antes. Claro que eles haviam ficado na geladeira do hotel esses dias todos, mas não estávamos pretendendo levá-los no avião, então teríamos que consumi-los antes de embarcar, e para isso tivemos que tirá-los discretamente do saquinho plástico onde estavam embalados e misturá-los com os queijos da porção que pedimos.

Enquanto estávamos só nós no restaurante, mantivemos a maior finesse, mas assim que outro casal se acomodou e o garçon entrou para fazer o pedido deles à cozinha, rapidamente abrimos as embalagens e colocamos nossos pobres queijos tão amassados junto com os outros. Verdade seja dita: estavam todos muito bons!

Felizes e satisfeitos, e com a bolsa um pouco mais leve, iniciamos a descida até o nosso destino, apreciando o charme desse bairro que passou a fazer parte da cidade de Paris apenas em 1860, tornando-se então o centro da vida boêmia local, com seus cabarés frequentados por artistas e intelectuais.


Não foi por acaso que boêmios e artistas encontraram em Montmartre o seu espaço: tratava-se de um local afastado o suficiente das residências nobres, onde dançarinas de cancan, prostitutas e bebedores de absinto podiam circular sem afrontar o convencionalismo burguês. 

E os homens bem nascidos que apreciavam a excitação dos cabarés e a intensidade presente na vida e nos ateliês dos artistas sabiam onde encontrar tudo isso, principalmente no período da Belle Époque, quando a vida intelectual europeia tinha por base a "Cidade Luz" e pelas ruas de Montmartre circulavam Van Gogh, Renoir, Degas, em busca de suas bailarinas, Monet, Cézanne e Toulouse-Lautrec, com suas magníficas obras que muitas vezes retratam a vida real por trás dos bastidores.

Atualmente o bairro continua charmoso, mas a vida noturna é muito mais direcionada para turistas, com uma boemia mais calcada no consumo do que nas discussões intelectuais e na livre expressão da arte.

Cruzamos a Place Pigalle, tradicional ponto de prostitutas, sex-shops e cinemas que exibem filmes pornôs, àquela hora da manhã uma praça comum, com turistas de bermuda e francesas de salto alto circulando normalmente. Na rua que tomamos a seguir, sempre observando as pequenas vielas e alguns prédios bem característicos, passamos por um local que vendia frutas, e entre elas um monte de cerejas. Não deu pra resistir! Elas são bem maiores do que as que a gente encontra aqui em São Paulo, estavam vermelhinhas, as cascas brilhantes... comprei meio quilo, num saquinho de papel, e fizemos o restante de nossa caminhada nos deliciando com elas.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

No alto da Sacré-Coeur e descendo

Ao observar de cima o entorno da basílica, vimos prédios belos e diferentes, característicos de locais com uma longa história atrás de si.

A construção de pedra é muito bonita, e as pequenas chaminés são bastante curiosas, coisa que até então só havíamos visto em filmes.
















Além da vista maravilhosa da cidade, da qual começávamos a nos despedir,...


... também era possível ter uma visão geral dos jardins que ficam na frente da basílica, descendo Montmartre.


Nas paredes internas do domo, uma série de relevos com linhas entrelaçadas, elemento característico da cultura celta que, posteriormente, foi adotado pelo mundo cristão medieval. O próprio trísquelo - ou trisquelion - passou a representar o caráter trinitário de Deus, expresso pela Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo.

Uma pena o fato de estar tudo pixado, rabiscado com as assinaturas das belezinhas que sobem ao domo e acham que alguém está se importando em saber que elas conseguiram. Infelizmente, turista é turista em todo lugar...







Ainda bem, no entanto, que alguns dos que deixaram sua mensagem no alto do Sagrado Coração foram mais criativos e românticos.


E,obviamente, nem todos os turistas eram trogloditas como uma menina (brasileira) que vimos enquanto aguardávamos para subir às torres da Notre-Dame, no início da semana, que olhou o tamanho da fila e lascou: "Vê lá se vou perder uma hora da minha vida numa fila pra ver pedra!"

Além de nós, que formos turistas exemplares - excetuando-se a passagem pela catraca do metrô sem pagar -, encontramos no domo da Sacré-Coeur um grupo de coreanos super simpáticos, que bateram a única foto em que nosso grupo aparece junto.


Depois que a Natália se fartou de observar os rapazes coreanos (uma preferência pessoal) e nós de olhar a cidade lá de cima, iniciamos o percurso para baixo, parte naquelas escadas claustrofóbicas...


















... e parte ao ar livre, com direito ao odor de pombas e seus dejetos.



















Lá embaixo, tendo visto tudo o que era possível no Sagrado Coração, tivemos olhos para apreciar outras belas construções que cercam a basílica.


















sábado, 2 de julho de 2011

Enfim, um legítimo francês!

Chegando ao hotel, resolvemos dar uma descansada básica antes de sairmos para o jantar, porque o cansaço era grande. A Natália avisou que não sairia conosco para o restaurante, fosse ele qual fosse, porque além de estar exausta, queria apreciar o que havia comprado no supermercado: bolachas, pãezinhos, chocolates e todas aquelas "bobagens" que quebram um galho quando não se quer sair pra comer.


A Rejane disse que iria comer com ela mas iria conosco, depois, ao restaurante, nem que fosse apenas pra tomar alguma coisa e jogar conversa fora.


Nesse dia eu havia conversado com a Anne, amiga do Vítor, pois ela estava encarregada de buscar a família da Nicole e o Vítor no aeroporto no dia seguinte, já que eles todos ficariam hospedados em sua casa. Em princípio nós achamos que seria uma boa encontrar-nos todos na sexta-feira para almoçarmos juntos, eles chegando a Paris e nós indo embora. Mas depois de conversar com Ivan, Natália, Rejane e Luís, chegamos à conclusão de que seria muito complicado - e arriscado. Caso o voo deles atrasasse, isso atrasaria o almoço e nos atrasaria para sermos pegos no hotel pela van da agência que nos levaria até o aeroporto para voltarmos ao Brasil. Portanto, liguei pra Anne novamente (e dessa vez consegui encontrá-la de primeira) e desmarquei o compromisso.


Tudo resolvido, nos encontramos no saguão do hotel e seguimos a pé para um restaurante próximo, com todo o jeito de bistrô francês mesmo: meia luz, mesas pequenas e bem próximas umas das outras e, o "melhor" da história, pra fechar a viagem com chave de ouro, o dono/gerente era também o típico francês, que faz cara feia quando se depara com turistas que não sabem muito bem falar a língua do país.

Sentamos, consultamos o cardápio, fizemos nossas escolhas e chamamos o indivíduo para fazermos o pedido. Eu comecei arriscando o francês "meia-boca" que já estava falando depois de quase uma semana em Paris e, pra facilitar, perguntei que língua ele falava. "Francês", respondeu o cretino, com aquele levantar de sobrancelhas pra indicar que eu era idiota por estar perguntando. Foi aí que o Ivan encheu o peito e lascou o pedido de tudo o que queríamos... em francês e levantando a sobrancelha!

Como era nossa última noite na cidade, levamos na boa e até comemoramos, pois até então, praticamente todo mundo tinha sido muito educado e prestativo, não havíamos ainda comprovado a falta de educação e o mau humor crônico dos franceses. Fora isso, a comida estava deliciosa e o ambiente era muito bom.

Aproveitamos para traçar os planos para o dia seguinte, pois teríamos que fazer o check-out do hotel até o meio-dia, mas a van da agência passaria pra nos pegar às 18h. O plano foi arrumar as malas e solicitar que fossem colocadas no guarda-volumes logo após o café da manhã. Sairíamos então para os últimos passeios - a Sacré-Coeur, Montmatre, Galeries Lafayette e o edifício da Ópera de Paris - e voltaríamos a tempo de fechar a conta, trocar a roupa que fosse necessária (que estaria na bagagem de mão) e pegar a van sem atrasos. 


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Saladas e impressionistas

Saímos do Invalides em busca de um lugar para almoçar e nos lembramos de um restaurante simpático que ficava ao lado do local onde havíamos comido os crêpes. O lugar era bem gostoso, com mesas numa área aberta sombreada por um toldo e pelas árvores da calçada.

Rejane e eu pedimos saladas e não nos arrependemos. Não foi aquela saladinha de folhas básica pra quem está fazendo dieta, e sim uma salada de respeito! Uma era de arroz e a outra de macarrão, frios, naturalmente, e com uma variedade deliciosa de "incrementos": atum desfiado, tomate picado, cenoura ralada, champignon, azeitonas, lascas de parmesão, frango desfiado... Cada um delas com alguns desses itens, mas ambas com a mesma apresentação, que achamos genial: com fatias de pepino cortadas no sentido do comprimento, como se fossem faixas largas, é montado um aro, colocado no centro do prato, dentro do qual vai a "super salada". Em volta dele ficam as verduras: rúcula, alface, endívia e outras. Sobre tudo isso, um molho delicioso, à base de mostarda ou de azeite temperado. Pra acompanhar, vinho branco gelado e u-lá-lá!

Saímos de lá refeitos e seguimos para a estação de metrô que nos deixou no museu D'Orsay, a escolha da Rejane. Infelizmente, é proibido fotografar lá dentro, a máquina tem que ser deixada dentro da bolsa, na chapelaria, portanto só conseguimos imagens das estátuas de alguns bichinhos meigos e delicados que ficam do lado de fora.


Se por um lado é chato não poder fotografar - e depois mostrar aos amigos, comentar e relembrar - por outro é muito melhor durante a visita, pois sem a preocupação de escolher o que vai ser documentado, a apreciação é mais tranquila.

O Museu D'Orsay funciona numa antiga estação de trem, portanto já dá pra ter ideia do tamanho do local. A distribuição dos espaços era mais ou menos conforme o esquema a seguir (e me perdoem os conhecedores e arquitetos por todas as falhas que ele possa apresentar, a intenção é só facilitar a descrição). Não coloquei as escadas e os diversos acessos aos andares, porque aí também seria muita pretensão...


A entrada é pelo terraço e de lá há várias escadas para a galeria central, onde ficam as esculturas, ou para as laterais, onde estão os quadros. A partir dessas galerias há entradas para salas, que às vezes são ligadas entre si. Em algumas delas há subdivisões internas e paredes, que são altamente necessárias quando o negócio é exibir quadros.

Ao contrário do Louvre, onde me deliciei principalmente com as esculturas, no Orsay resolvi investir meu tempo e minha atenção aos quadros. Começamos pela longa galeria à direita, onde estão algumas obras impressionistas bastante importantes. O problema é que para se apreciar uma obra desse estilo como se deve, há que se dar uma certa distância do quadro, o que era impossível não só devido à largura da galeria, com quadros dos dois lados, mas porque havia muita gente. Além de serem muitas pessoas, elas "passeavam" pelo espaço central da galeria como se estivessem num shopping olhando as vitrines, sem parar para apreciar coisa alguma, conversando entre si, empurrando carrinhos de bebê e andando num ritmo constante, como se estivessem cumprindo uma obrigação.

Ainda bem que as salas internas eram mais vazias, já que o "dever" de entrar no Orsay não devia incluir uma visitação completa; olhar o que estava mais à mostra devia ser o suficiente.

O acervo exposto é simplesmente incrível, daria para passar dias observando com cuidado não só as obras em si, mas a própria história da arte, pelas diferenças de técnicas e concepções artísticas que se sucedem, sala após sala.

Uma situação engraçada ocorreu na sala em que estão as obras de Gustave Courbet, um pintor realista que costumava escandalizar o público da época com seus nus. Uma de suas obras mais famosas é "A origem do mundo", que mostra o corpo de uma mulher nua, deitada, do início das coxas até os seios, com o ângulo de visão partindo de seus genitais. Como a obra é realista, dá pra imaginar o choque das pessoas ao dar de cara com "AQUILO"!

Para não causar constrangimentos, a tela fica numa das salas internas (na que eu desenhei no centro à esquerda), na parede interna, voltada para dentro, de modo que as pessoas que passam na galeria ou apenas dão uma espiada na sala não a veem. Era curioso observar as pessoas que chegavam até ela: as mulheres, em geral, davam risadinhas, principalmente as orientais. Uma senhora fez cara de reprovação, mas o melhor foi um homem, americano, que entrou na sala com dois meninos pequenos, de 5 e 8 anos, mais ou menos. As crianças não viram o quadro logo que entraram, mas assim que o pai enxergou, fez cara de choque total e, notando que os filhos ainda não haviam percebido a imagem, comentou que ali não havia nada de interessante para ser visto e foi "tocando" os dois pra fora da sala.

Essas galerias e salas laterais não ocupam altura total do prédio, como é o caso da galeria central. Há um segundo andar com salas que expõem fotografias e, melhor que tudo, peças e mobiliário no estilo Art Nouveau. Ficamos simplesmente encantadas com a reprodução dos ambientes e lamentei não poder fotografá-los, pois seriam extremamente úteis nas aulas de História do Design.

Havíamos combinado um horário para nos encontrar e encerrar a visita, já que cada um seguiu por um caminho, de acordo com o interesse. Como era o penúltimo dia de nossa viagem e havíamos encarado caminhadas e escadas a semana inteira, o cansaço já estava se manifestando, mas nada que uma paradinha nos bancos da galeria central, apreciando as esculturas e a própria arquitetura interna do Museu, não resolvesse.

Passamos ainda na lanchonete, estrategicamente colocada sob o Terraço (aliás, há diversos lances de escadas levando a andares superiores, inferiores ou à meia altura, dependendo de onde se está), onde conseguimos encontrar água de uma das marcas que havíamos aprovado. Considerando o calor que enfrentaríamos do lado de fora, era necessário nos hidratarmos antes de sair.

Caminhamos até o metrô e lá, dentro da estação, uma agradável surpresa: um grupo de artistas de algum país da Europa Oriental - reconhecidos por nós pelo estilo da música - cantando e tocando.


A música nos deixou tão animados, que o Luís deu mais uma demonstração de seu cavalheirismo, ajudando uma mulher a levar o carrinho de bebê, COM o bebê dentro dele, escada acima, num dos locais onde não havia escada rolante.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Seguindo para "Les Invalides"

Apesar da recomendação dos guias que consultamos, sobre chegar ao Les Invalides pela ponte Alexandre III para termos uma visão melhor da grandiosidade do conjunto arquitetônico, descemos na estação de metrô La Tour-Maubourg, próxima ao acesso do lado oposto da capela com a cúpula dourada.

Era quase meio-dia, mas queríamos visitar o local antes de almoçar, então a solução foi fazer um lanche rápido. A escolha recaiu sobre crépes, que são encontrados com facilidade em vários locais da cidade. Não se trata dos crepes no palito que aqui no Brasil são tão comuns, mas dos verdadeiros, aqueles cuja massa, fininha, é colocada numa chapa redonda, para ser espalhada e receber bastante recheio e temperos.

Estômago satisfeito, fomos enfrentar o sol para chegar até o "Palácio dos Inválidos", que seria a tradução mais próxima do termo francês hôtel, que pode significar desde asilo até palácio. Esse que visitamos é uma mistura dos dois: trata-se de uma construção monumental, iniciada em 1670 por ordem de Luís XIV, para abrigar os inválidos do exército francês.

Atualmente continua recebendo inválidos, mas grande parte de seus pátios e salas foram transformados em museus ligados às atividades militares. A entrada do complexo arquitetônico deixa muito clara sua ligação com a guerra, pois há um grande fosso - hoje sem água, apenas gramado - e um conjunto de canhões contornando o jardim anterior à entrada do prédio propriamente dito.




Quem estava radiante, apesar do calor incômodo, era a Natália, pois visitar o túmulo de Napoleão, na capela de cúpula dourada, havia sido a sua escolha para o que ver em Paris.











Seguimos pelo jardim, absolutamente clássico, com as árvores todas podadas num mesmo formato e colocadas em alinhamento perfeito.


A entrada do monumental conjunto, organizado em forma de grelha, com os diversos edifícios retangulares posicionados em torno de dezesseis pátios (nem todos abertos à visitação), é feita por um portal com inúmeros relevos e estátuas.
No ponto mais alto, como não poderia deixar de ser, um relevo de Luís XIV, o "Rei Sol", ladeado pela Justiça e pela Prudência. Ele tem o sol sobre sua cabeça e inúmeros conjuntos de escudos e armas decorando o arco que envolve o grupo. No texto em latim, algo como "Luís, o grande, manteve os soldados, com seu tesouro real, para todo o sempre."


De um dos lados da entrada, uma estátua de Ares/Marte, deus da guerra.
Do outro lado, Atena/Minerva, deusa da razão, da civilização e da habilidade guerreira. Diga-se de passagem, é um dos poucos lugares onde esses deuses aparecem juntos. Tanto nos desenhos animados (O Jovem Hércules, da Disney) como na literatura juvenil (Percy Jackson) eles passam o tempo todo brigando, da mesma forma que acontece nas narrativas mitológicas, por terem inclinações diametralmente opostas.
Sobre a porta de entrada propriamente dita, uma alegoria entalhada em madeira representando, muito provavelmente, a guerra e a paz, havendo a preponderância da primeira, já que se trata de um edifício voltado aos  militares.

Olhando para a direção por onde entramos, avistávamos a ponte Alexandre III com seus cavalos dourados e as cúpulas do Grand Palais do lado esquerdo.


Porém, o calor castigava, e era hora de entrarmos e vermos o que mais havia no interior dos edifícios, para a alegria da Natália.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Descendo da Torre

Antes de iniciarmos a descida - e "fazendo hora" pra ver se o Ivan chegava, pois naquele momento não sabíamos que ele estava nos esperando no primeiro nível - fotografamos alguns aspectos interessantes e diferentes da cidade de Paris, como sua estrutura de quarteirões triangulares,...





















... a forma como os prédios são construídos, com um poço central de iluminação, formando quadrados que se interligam, para quem vê de cima, e ainda um estádio com um senhor campo de futebol, sendo utilizado em plena quinta-feira.


Vimos ainda construções mais modernas, como prédios de forma sinuosa, que nos fizeram lembrar da criação de Oscar Niemeyer em São Paulo, o edifício Copan,...
... e no Quai de Grenelle, rua onde ficam vários dos melhores hoteis de Paris, pudemos observar uma concentração de prédios modernos, projetados por arquitetos renomados.


Logicamente não iríamos perder a chance de documentar que nós estivemos lá!







































Descemos um lance de escadas até um mirante protegido por vidros onde ficava o acesso para o elevador que nos levaria até o primeiro nível. Em todo o contorno desse local há indicações das distâncias entre diversas cidades do mundo e a Torre Eiffel. Curioso os portugueses estarem tão pertinho da gente em termos de colocação das bandeiras...


Aliás, quando estávamos subindo desse andar para o mirante mais alto, eu encontrei um par de óculos caídos na escada. Minha primeira reação foi procurar algum funcionário para entregá-lo, mas aí lembrei dos óculos da Rejane que haviam sido esmagados pelo carro e entreguei o achado a ela para que experimentasse. E não é que os graus das lentes serviam?

Descemos de elevador até o primeiro nível e, de lá, Natália e eu pegamos o outro elevador para chegar ao solo e o Luís e a Rejane resolveram descer a pé. No caminho havia operários trabalhando na manutenção de uma das "pernas" da torre e também bonecos vestidos como se fossem trabalhadores, mas tão bem feitos que confundiam quem passava sobre quais eram os verdadeiros.

Esses eram os verdadeiros,...

... esse era um boneco.
Natália e eu chegamos primeiro ao solo e nos sentamos próximas ao caminho que ia até o metrô para esperar pelos outros. Havia inúmeros camelôs vendendo lembrancinhas da Torre Eiffel, praticamente todos eles imigrantes africanos. Da mesma forma que se faz aqui no Brasil, eles colocavam os objetos - chaveiros, miniaturas da Torre, pingentes e outros - sobre um pano com cadarços em suas laterais. De repente, da direção do Campo de Marte, aparecia um gendarme em sua bicicleta, apitando como aviso de que o "rapa" estava chegando. Os camelôs puxavam os cadarços formando um saco de pano, com as peças lá dentro, e saíam correndo para todos os lados. O gendarme circulava um pouco por ali, exibindo as pernas em bermudas azul-marinho (uniforme de verão), e voltava pelo caminho por onde tinha vindo. Era a senha para todos os camelôs voltarem e tornarem a insistir com os turistas para que comprassem alguma coisa.

Na décima-quinta vez em que disse a um deles que não estava interessada em comprar nada, ouvi como resposta: "Leva hoje e paga amanhã", em português! Comecei a rir e percebi que a presença de brasileiros em Paris é realmente enorme, já que o camelô havia percebido que eu era do Brasil ao me ouvir conversando com a Natália e ainda tinha aprendido a frase, típica de comerciantes brasileiros, para se fazer simpático.

Nisso chega o Ivan, bastante irritado, reclamando que havia nos esperado um tempão no primeiro nível. Esperou tanto que, quando percebeu que não iríamos chegar, notou também que não iria dar tempo para subir o restante dos degraus a pé e resolveu verificar se já estávamos lá embaixo.

Esclarecido o mal entendido (não sabíamos que ao chegar no primeiro nível teríamos que pegar imediatamente o elevador para o alto da Torre), nos juntamos ao Luís e à Rejane, que traziam garrafinhas de água gelada para todos, e seguimos para o metrô.