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sábado, 19 de maio de 2012

Adieu, Paris!

Porém, apesar de todo o seu encanto, o edifício da Ópera não tinha mais como nos segurar: ainda era necessário almoçar, voltar ao hotel para pegarmos as malas e aguardar o ônibus da agência que nos levaria ao aeroporto. O calor também não dava trégua, fazendo com que a expectativa de qualquer coisa gelada nos animasse a seguir para o almoço. Nos despedimos do Palais e seguimos para o ponto em que estavam Rejane e Natália.

 















Encontramos a Carol, o Yuri e o Renan no Cafe Bastille e lá mesmo fizemos nossa última refeição em solo francês. O Ivan aproveitou para saborear um canard (pato) e o Luís encerrou tudo com um belo sorvete.





















Voltamos a pé para o hotel e, conforme havíamos planejado, pegamos as camisetas limpas que havíamos deixado na bagagem de mão para trocar pelas que havíamos usado o dia todo debaixo daquele sol escaldante. Cada um de nós entrou, por sua vez, no banheiro de hóspedes que havia próximo a recepção, dando um jeito de se limpar e refrescar contando apenas com uma pia. Apesar de estarmos sonhando com um banho, foi o que deu pra fazer, e apesar do banheiro ficar "um pouco" alagado (o Luís, último a utilizá-lo, acabou dando uma de faxineiro com o papel toalha e a própria toalha que seria lavada aqui no Brasil), no final estávamos bastante apresentáveis para aguardar o translado para o aeroporto.

No percurso, já começamos a sonhar em quando iríamos voltar, imaginando tudo o que não havíamos visto e todos os lugares que gostaríamos de ver outra vez.


Mesmo não sendo consumistas, todos nós gostamos de comer e beber bem, por isso a visita ao free shop ficou praticamente restrita a queijos, champagne, mostarda de Dijon e chocolate.

Apesar de já estarmos pensando na próxima viagem, o cansaço era tanto que nem reparamos nas 12 horas de voo e além do serviço de bordo, só fomos acordar ao chegarmos em Cumbica.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Montmartre com cereja

Ao voltarmos para a frente da Sacré-Coeur, percebemos que nossos horários de visitação eram mesmo os melhores, pois a quantidade de pessoas que se espalhavam pelas escadarias e pelos jardins era muito maior do que a que havia quando chegamos. A vantagem, porém, do horário adiantado, é que os músicos que se apresentam por lá em troca de algumas moedas já estavam em plena atividade.























Logo abaixo do primeiro patamar, que fica após o último lance de escadas para se chegar á basílica, há três fontes incrustadas em nichos semelhantes a grandes conchas.


E a partir daí, descendo sempre, jardins maravilhosos.

















Nossa próxima parada era o edifício da Ópera de Paris, para onde resolvemos ir a pé, caminhando pelo bairro de Montmartre. Só que, depois da subida de tantos degraus na Sacré-Coeur, precisávamos de mais "combustível", e começamos a procurar algum lugar simpático onde pudéssemos parar pra fazer um lanchinho. Encontramos um restaurante que também servia porções numa das ruas logo abaixo dos jardins da basílica, com mesinhas na calçada sob um toldo que protegia do sol que estava começando a mostrar que aquele seria um dia de verão característico da era do aquecimento global.

Nos acomodamos e pedimos uma porção de pão de alho e queijos, vários queijos. Não apenas porque todos do grupo amam os queijos que aqui no Brasil custam tão caro e lá são tão em conta, mas também porque na bolsa da Rejane estavam os restos mortais dos queijos que havíamos comprado para o piquenique no quarto do Luís, alguns dias antes. Claro que eles haviam ficado na geladeira do hotel esses dias todos, mas não estávamos pretendendo levá-los no avião, então teríamos que consumi-los antes de embarcar, e para isso tivemos que tirá-los discretamente do saquinho plástico onde estavam embalados e misturá-los com os queijos da porção que pedimos.

Enquanto estávamos só nós no restaurante, mantivemos a maior finesse, mas assim que outro casal se acomodou e o garçon entrou para fazer o pedido deles à cozinha, rapidamente abrimos as embalagens e colocamos nossos pobres queijos tão amassados junto com os outros. Verdade seja dita: estavam todos muito bons!

Felizes e satisfeitos, e com a bolsa um pouco mais leve, iniciamos a descida até o nosso destino, apreciando o charme desse bairro que passou a fazer parte da cidade de Paris apenas em 1860, tornando-se então o centro da vida boêmia local, com seus cabarés frequentados por artistas e intelectuais.


Não foi por acaso que boêmios e artistas encontraram em Montmartre o seu espaço: tratava-se de um local afastado o suficiente das residências nobres, onde dançarinas de cancan, prostitutas e bebedores de absinto podiam circular sem afrontar o convencionalismo burguês. 

E os homens bem nascidos que apreciavam a excitação dos cabarés e a intensidade presente na vida e nos ateliês dos artistas sabiam onde encontrar tudo isso, principalmente no período da Belle Époque, quando a vida intelectual europeia tinha por base a "Cidade Luz" e pelas ruas de Montmartre circulavam Van Gogh, Renoir, Degas, em busca de suas bailarinas, Monet, Cézanne e Toulouse-Lautrec, com suas magníficas obras que muitas vezes retratam a vida real por trás dos bastidores.

Atualmente o bairro continua charmoso, mas a vida noturna é muito mais direcionada para turistas, com uma boemia mais calcada no consumo do que nas discussões intelectuais e na livre expressão da arte.

Cruzamos a Place Pigalle, tradicional ponto de prostitutas, sex-shops e cinemas que exibem filmes pornôs, àquela hora da manhã uma praça comum, com turistas de bermuda e francesas de salto alto circulando normalmente. Na rua que tomamos a seguir, sempre observando as pequenas vielas e alguns prédios bem característicos, passamos por um local que vendia frutas, e entre elas um monte de cerejas. Não deu pra resistir! Elas são bem maiores do que as que a gente encontra aqui em São Paulo, estavam vermelhinhas, as cascas brilhantes... comprei meio quilo, num saquinho de papel, e fizemos o restante de nossa caminhada nos deliciando com elas.

sábado, 2 de julho de 2011

Enfim, um legítimo francês!

Chegando ao hotel, resolvemos dar uma descansada básica antes de sairmos para o jantar, porque o cansaço era grande. A Natália avisou que não sairia conosco para o restaurante, fosse ele qual fosse, porque além de estar exausta, queria apreciar o que havia comprado no supermercado: bolachas, pãezinhos, chocolates e todas aquelas "bobagens" que quebram um galho quando não se quer sair pra comer.


A Rejane disse que iria comer com ela mas iria conosco, depois, ao restaurante, nem que fosse apenas pra tomar alguma coisa e jogar conversa fora.


Nesse dia eu havia conversado com a Anne, amiga do Vítor, pois ela estava encarregada de buscar a família da Nicole e o Vítor no aeroporto no dia seguinte, já que eles todos ficariam hospedados em sua casa. Em princípio nós achamos que seria uma boa encontrar-nos todos na sexta-feira para almoçarmos juntos, eles chegando a Paris e nós indo embora. Mas depois de conversar com Ivan, Natália, Rejane e Luís, chegamos à conclusão de que seria muito complicado - e arriscado. Caso o voo deles atrasasse, isso atrasaria o almoço e nos atrasaria para sermos pegos no hotel pela van da agência que nos levaria até o aeroporto para voltarmos ao Brasil. Portanto, liguei pra Anne novamente (e dessa vez consegui encontrá-la de primeira) e desmarquei o compromisso.


Tudo resolvido, nos encontramos no saguão do hotel e seguimos a pé para um restaurante próximo, com todo o jeito de bistrô francês mesmo: meia luz, mesas pequenas e bem próximas umas das outras e, o "melhor" da história, pra fechar a viagem com chave de ouro, o dono/gerente era também o típico francês, que faz cara feia quando se depara com turistas que não sabem muito bem falar a língua do país.

Sentamos, consultamos o cardápio, fizemos nossas escolhas e chamamos o indivíduo para fazermos o pedido. Eu comecei arriscando o francês "meia-boca" que já estava falando depois de quase uma semana em Paris e, pra facilitar, perguntei que língua ele falava. "Francês", respondeu o cretino, com aquele levantar de sobrancelhas pra indicar que eu era idiota por estar perguntando. Foi aí que o Ivan encheu o peito e lascou o pedido de tudo o que queríamos... em francês e levantando a sobrancelha!

Como era nossa última noite na cidade, levamos na boa e até comemoramos, pois até então, praticamente todo mundo tinha sido muito educado e prestativo, não havíamos ainda comprovado a falta de educação e o mau humor crônico dos franceses. Fora isso, a comida estava deliciosa e o ambiente era muito bom.

Aproveitamos para traçar os planos para o dia seguinte, pois teríamos que fazer o check-out do hotel até o meio-dia, mas a van da agência passaria pra nos pegar às 18h. O plano foi arrumar as malas e solicitar que fossem colocadas no guarda-volumes logo após o café da manhã. Sairíamos então para os últimos passeios - a Sacré-Coeur, Montmatre, Galeries Lafayette e o edifício da Ópera de Paris - e voltaríamos a tempo de fechar a conta, trocar a roupa que fosse necessária (que estaria na bagagem de mão) e pegar a van sem atrasos. 


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Saladas e impressionistas

Saímos do Invalides em busca de um lugar para almoçar e nos lembramos de um restaurante simpático que ficava ao lado do local onde havíamos comido os crêpes. O lugar era bem gostoso, com mesas numa área aberta sombreada por um toldo e pelas árvores da calçada.

Rejane e eu pedimos saladas e não nos arrependemos. Não foi aquela saladinha de folhas básica pra quem está fazendo dieta, e sim uma salada de respeito! Uma era de arroz e a outra de macarrão, frios, naturalmente, e com uma variedade deliciosa de "incrementos": atum desfiado, tomate picado, cenoura ralada, champignon, azeitonas, lascas de parmesão, frango desfiado... Cada um delas com alguns desses itens, mas ambas com a mesma apresentação, que achamos genial: com fatias de pepino cortadas no sentido do comprimento, como se fossem faixas largas, é montado um aro, colocado no centro do prato, dentro do qual vai a "super salada". Em volta dele ficam as verduras: rúcula, alface, endívia e outras. Sobre tudo isso, um molho delicioso, à base de mostarda ou de azeite temperado. Pra acompanhar, vinho branco gelado e u-lá-lá!

Saímos de lá refeitos e seguimos para a estação de metrô que nos deixou no museu D'Orsay, a escolha da Rejane. Infelizmente, é proibido fotografar lá dentro, a máquina tem que ser deixada dentro da bolsa, na chapelaria, portanto só conseguimos imagens das estátuas de alguns bichinhos meigos e delicados que ficam do lado de fora.


Se por um lado é chato não poder fotografar - e depois mostrar aos amigos, comentar e relembrar - por outro é muito melhor durante a visita, pois sem a preocupação de escolher o que vai ser documentado, a apreciação é mais tranquila.

O Museu D'Orsay funciona numa antiga estação de trem, portanto já dá pra ter ideia do tamanho do local. A distribuição dos espaços era mais ou menos conforme o esquema a seguir (e me perdoem os conhecedores e arquitetos por todas as falhas que ele possa apresentar, a intenção é só facilitar a descrição). Não coloquei as escadas e os diversos acessos aos andares, porque aí também seria muita pretensão...


A entrada é pelo terraço e de lá há várias escadas para a galeria central, onde ficam as esculturas, ou para as laterais, onde estão os quadros. A partir dessas galerias há entradas para salas, que às vezes são ligadas entre si. Em algumas delas há subdivisões internas e paredes, que são altamente necessárias quando o negócio é exibir quadros.

Ao contrário do Louvre, onde me deliciei principalmente com as esculturas, no Orsay resolvi investir meu tempo e minha atenção aos quadros. Começamos pela longa galeria à direita, onde estão algumas obras impressionistas bastante importantes. O problema é que para se apreciar uma obra desse estilo como se deve, há que se dar uma certa distância do quadro, o que era impossível não só devido à largura da galeria, com quadros dos dois lados, mas porque havia muita gente. Além de serem muitas pessoas, elas "passeavam" pelo espaço central da galeria como se estivessem num shopping olhando as vitrines, sem parar para apreciar coisa alguma, conversando entre si, empurrando carrinhos de bebê e andando num ritmo constante, como se estivessem cumprindo uma obrigação.

Ainda bem que as salas internas eram mais vazias, já que o "dever" de entrar no Orsay não devia incluir uma visitação completa; olhar o que estava mais à mostra devia ser o suficiente.

O acervo exposto é simplesmente incrível, daria para passar dias observando com cuidado não só as obras em si, mas a própria história da arte, pelas diferenças de técnicas e concepções artísticas que se sucedem, sala após sala.

Uma situação engraçada ocorreu na sala em que estão as obras de Gustave Courbet, um pintor realista que costumava escandalizar o público da época com seus nus. Uma de suas obras mais famosas é "A origem do mundo", que mostra o corpo de uma mulher nua, deitada, do início das coxas até os seios, com o ângulo de visão partindo de seus genitais. Como a obra é realista, dá pra imaginar o choque das pessoas ao dar de cara com "AQUILO"!

Para não causar constrangimentos, a tela fica numa das salas internas (na que eu desenhei no centro à esquerda), na parede interna, voltada para dentro, de modo que as pessoas que passam na galeria ou apenas dão uma espiada na sala não a veem. Era curioso observar as pessoas que chegavam até ela: as mulheres, em geral, davam risadinhas, principalmente as orientais. Uma senhora fez cara de reprovação, mas o melhor foi um homem, americano, que entrou na sala com dois meninos pequenos, de 5 e 8 anos, mais ou menos. As crianças não viram o quadro logo que entraram, mas assim que o pai enxergou, fez cara de choque total e, notando que os filhos ainda não haviam percebido a imagem, comentou que ali não havia nada de interessante para ser visto e foi "tocando" os dois pra fora da sala.

Essas galerias e salas laterais não ocupam altura total do prédio, como é o caso da galeria central. Há um segundo andar com salas que expõem fotografias e, melhor que tudo, peças e mobiliário no estilo Art Nouveau. Ficamos simplesmente encantadas com a reprodução dos ambientes e lamentei não poder fotografá-los, pois seriam extremamente úteis nas aulas de História do Design.

Havíamos combinado um horário para nos encontrar e encerrar a visita, já que cada um seguiu por um caminho, de acordo com o interesse. Como era o penúltimo dia de nossa viagem e havíamos encarado caminhadas e escadas a semana inteira, o cansaço já estava se manifestando, mas nada que uma paradinha nos bancos da galeria central, apreciando as esculturas e a própria arquitetura interna do Museu, não resolvesse.

Passamos ainda na lanchonete, estrategicamente colocada sob o Terraço (aliás, há diversos lances de escadas levando a andares superiores, inferiores ou à meia altura, dependendo de onde se está), onde conseguimos encontrar água de uma das marcas que havíamos aprovado. Considerando o calor que enfrentaríamos do lado de fora, era necessário nos hidratarmos antes de sair.

Caminhamos até o metrô e lá, dentro da estação, uma agradável surpresa: um grupo de artistas de algum país da Europa Oriental - reconhecidos por nós pelo estilo da música - cantando e tocando.


A música nos deixou tão animados, que o Luís deu mais uma demonstração de seu cavalheirismo, ajudando uma mulher a levar o carrinho de bebê, COM o bebê dentro dele, escada acima, num dos locais onde não havia escada rolante.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Seguindo para "Les Invalides"

Apesar da recomendação dos guias que consultamos, sobre chegar ao Les Invalides pela ponte Alexandre III para termos uma visão melhor da grandiosidade do conjunto arquitetônico, descemos na estação de metrô La Tour-Maubourg, próxima ao acesso do lado oposto da capela com a cúpula dourada.

Era quase meio-dia, mas queríamos visitar o local antes de almoçar, então a solução foi fazer um lanche rápido. A escolha recaiu sobre crépes, que são encontrados com facilidade em vários locais da cidade. Não se trata dos crepes no palito que aqui no Brasil são tão comuns, mas dos verdadeiros, aqueles cuja massa, fininha, é colocada numa chapa redonda, para ser espalhada e receber bastante recheio e temperos.

Estômago satisfeito, fomos enfrentar o sol para chegar até o "Palácio dos Inválidos", que seria a tradução mais próxima do termo francês hôtel, que pode significar desde asilo até palácio. Esse que visitamos é uma mistura dos dois: trata-se de uma construção monumental, iniciada em 1670 por ordem de Luís XIV, para abrigar os inválidos do exército francês.

Atualmente continua recebendo inválidos, mas grande parte de seus pátios e salas foram transformados em museus ligados às atividades militares. A entrada do complexo arquitetônico deixa muito clara sua ligação com a guerra, pois há um grande fosso - hoje sem água, apenas gramado - e um conjunto de canhões contornando o jardim anterior à entrada do prédio propriamente dito.




Quem estava radiante, apesar do calor incômodo, era a Natália, pois visitar o túmulo de Napoleão, na capela de cúpula dourada, havia sido a sua escolha para o que ver em Paris.











Seguimos pelo jardim, absolutamente clássico, com as árvores todas podadas num mesmo formato e colocadas em alinhamento perfeito.


A entrada do monumental conjunto, organizado em forma de grelha, com os diversos edifícios retangulares posicionados em torno de dezesseis pátios (nem todos abertos à visitação), é feita por um portal com inúmeros relevos e estátuas.
No ponto mais alto, como não poderia deixar de ser, um relevo de Luís XIV, o "Rei Sol", ladeado pela Justiça e pela Prudência. Ele tem o sol sobre sua cabeça e inúmeros conjuntos de escudos e armas decorando o arco que envolve o grupo. No texto em latim, algo como "Luís, o grande, manteve os soldados, com seu tesouro real, para todo o sempre."


De um dos lados da entrada, uma estátua de Ares/Marte, deus da guerra.
Do outro lado, Atena/Minerva, deusa da razão, da civilização e da habilidade guerreira. Diga-se de passagem, é um dos poucos lugares onde esses deuses aparecem juntos. Tanto nos desenhos animados (O Jovem Hércules, da Disney) como na literatura juvenil (Percy Jackson) eles passam o tempo todo brigando, da mesma forma que acontece nas narrativas mitológicas, por terem inclinações diametralmente opostas.
Sobre a porta de entrada propriamente dita, uma alegoria entalhada em madeira representando, muito provavelmente, a guerra e a paz, havendo a preponderância da primeira, já que se trata de um edifício voltado aos  militares.

Olhando para a direção por onde entramos, avistávamos a ponte Alexandre III com seus cavalos dourados e as cúpulas do Grand Palais do lado esquerdo.


Porém, o calor castigava, e era hora de entrarmos e vermos o que mais havia no interior dos edifícios, para a alegria da Natália.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Deuses e o jantar. Ou jantar dos deuses?

Numa das últimas salas com esculturas greco-romanas que visitamos, era flagrante a diferença entre a beleza despojada das obras da Antiguidade e os ornamentos cheios de artifícios da arte neoclássica.




Por exemplo, havia uma estátua de um menino esganando (não afogando!) o ganso que era perfeita em termos de expressividade e movimento sem que houvesse elementos decorativos ou rebuscamento.













Em compensação, a lareira da sala, que foi construída quando o Louvre servia de residência a reis e imperadores, é repleta de detalhes decorativos.


O curioso é que esses detalhes seguem um padrão, ou seja, não é como na arte gótica em que cada detalhe tem uma característica específica. Nos portais da Notre Dame, por exemplo, há inúmeros anjos, profetas e santos nas arquivoltas, mas se percebe que cada um deles possui uma particularidade, não é como se tivesse sido criado um molde para que suas cópias fossem distribuídas no espaço a elas destinado. Já na arte neoclássica predomina a simetria e os elementos decorativos seguem um padrão definido, de acordo com a racionalidade prevalente nesse momento histórico.









Na sala havia também uma bela estátua do deus Pã...

















... e outra, maravilhosa, de Ártemis/Diana, a deusa caçadora, com sua corça de chifres de ouro. Detalhe: eram quase nove horas da noite e o sol estava firme e forte, iluminando as estátuas.










Certamente não iríamos deixar de apreciar - e fotografar - uma estátua tão significativa para o Luís quanto a de um centauro. Isso porque num de nossos jogos de RPG, era esse o personagem assumido por ele.


A alternância de peças clássicas e neoclássicas era constante, como no caso do mosaico...


... ou do trono em mármore, decorado com figuras de inspiração grega.


Passamos também por uma reprodução do templo de Zeus em Olímpia, uma das sete maravilhas do mundo antigo...


... e por um belíssimo grupo (peça de escultura onde são representadas várias figuras) das Três Graças.


Chamadas de Cárites na mitologia grega, as graças representam o Amor (charitas, que é a caridade no sentido de compaixão, e não de simplesmente dar uma esmola material. A partir do Renascimento esse amor passa a ser identificado como relativo à graça de Deus), o Prazer (voluptas, satisfação geralmente ligada aos sentidos) e a Beleza (pulcritude, que também é associada a ideia de gentileza). As figura das três moças pode também ser relacionada com o Dar, Receber e Agradecer.

Conforme havíamos combinado, nos encontramos no saguão às dez horas, horário de fechamento do Louvre. Ainda em estado de graça por toda a beleza e perfeição artística que tínhamos apreciado, retornamos ao "nosso" bairro e resolvemos seguir direto para um restaurante, porque depois de termos andado tanto, se passássemos primeiro no hotel acabaríamos ficando por lá.

Escolhemos um restaurante próximo ao bar do Pierre, que já havíamos notado em outras passadas pelo local, e que nessa noite estava bastante movimentado: era 7 de julho, dia do jogo entre Espanha e Alemanha na semifinal da Copa do Mundo. Até havia alguns franceses com chapéus e bandeirinhas alemãs, mas logo percebemos que era só pra fazer gozação, pois há uma rixa histórica entre França e Alemanha desde a segunda metade do século XIX, pelo menos, e no futebol ela continua firme e forte. Mais ou menos como a rivalidade entre Brasil e Argentina...

Enquanto ainda estávamos escolhendo o que pedir, o jogo acabou e o local ficou mais tranquilo, o que só contribuiu para que pudéssemos saborear melhor um jantar fantástico: a típica carne mal passada francesa, acompanhada da mostarda de Dijon. O sabor é incomparável! Para completar, tarte tatin, uma torta de maçã simplesmente deliciosa. 

Satisfeitos de corpo e espírito, seguimos direto pro hotel, pois no dia seguinte ainda havia muita coisa pra aproveitar.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Sorte de principiante

Já havia passado um pouco do horário do encontro com a Carol, e nada. Estávamos todos com calor e com muita fome, mas acabamos concordando com o Ivan de que deveríamos aguardar ao menos por mais meia hora. Próximo do Arco havia alguns quiosques que vendiam sanduíches e salgados, mas talvez, por já estar em Paris há alguns meses, a Carol conhecesse algum lugar mais interessante, portanto, continuamos aguardando.

Olhando para a pirâmide do Louvre à nossa frente e mais o monte de gente que estava na praça, só ficamos imaginando a maravilha que ia ser ficar na fila um tempão debaixo de sol. Aí a sede apertou, o que fez com que o Luís e a Rejane resolvessem entrar por um acesso ao subsolo - sabe-se lá o que haveria lá embaixo! - para ver se havia lanchonete, banheiro, essas instalações de primeira necessidade. 

Os dois voltaram com água e bastante animados: no subterrâneo ficava o "Carrousel du Louvre", uma espécie de pequeno shopping center ou galeria, com várias lojas e uma boa praça de alimentação. O Ivan teve a ideia de tentar entrar em contato com a Carol por um telefone público e, enfim, saímos do calor.

Fizemos um percurso de reconhecimento do local e encontramos algumas máquinas que vendiam ingressos para o Louvre, bastante semelhantes às que vendiam passagens no metrô. Elas funcionavam com cartão e nos atrapalhamos um pouco com as instruções, mas de um jeito ou de outro, fomos em frente. Na hora em que foi indicado o preço, ficamos na maior dúvida: será que é esse mesmo ou comprando na máquina haverá algum acréscimo? Na dúvida, acabamos abortando a operação e fomos atrás do telefone público. O problema foi conseguir fazê-lo funcionar: uma das indicações no aparelho esclarecia que ele funcionava com cartão. Tentei o meu, internacional, e nada! Outra informação indicava como fazer a ligação a cobrar. Tentamos, e também não deu certo.

Enquanto Ivan e eu lutávamos com o telefone, os outros três, circulando por perto, encontraram uma tabacaria em cuja vitrine havia um adesivo informando que ali eram vendidos ingressos para o Louvre. O Luís, como bom brasileiro, escolado em escapar de trambiques, ficou ligeiramente desconfiado... seria verdadeiro? Mas ali, "na boca" do Museu, dificilmente algum comerciante conseguiria ficar muito tempo vendendo ingressos falsos. Rejane e Natália vieram falar conosco, que a essa altura já havíamos desistido de contatar a Carol, e nós todos compramos nossos ingressos (por sinal, no mesmo valor cobrado na máquina).

Antes de nos dirigirmos à praça de alimentação, resolvemos procurar um banheiro, até porque seria muita falta de higiene almoçar sem antes lavar as mãos. Os rapazes encontraram um banheiro masculino facilmente, dos comuns e básicos, e nós três demos de cara com uma pequena fila num local indicado como toillete, mas que parecia uma loja.

O local ficava ao lado de um dos lances das largas escadas que havia no shopping e tinha uma entrada com vitrines cheias de objetos coloridos. Além disso, conseguimos ver que internamente não havia um corredor com vários boxes, e sim gôndolas e estantes nas paredes, todas cheias de produtos. Claro que uma de nós avançou até onde havia uma espécie de segurança para confirmar se ali era o toalete, e ao receber a resposta afirmativa, voltou para aguardar na fila, cada vez mais encafifada.

A resposta do mistério? Trata-se da "Point WC Paris", uma empresa de banheiros japonesa que não apenas oferece a comodidade de um local limpinho e perfumado - as atendentes, de terninho preto e devidamente maquiladas, entram após cada cliente utilizar o banheiro e limpam e desodorizam todo o espaço com os produtos da própria loja, incluindo maçaneta, comando da descarga e uma enxugada na pia -, mas também vende os produtos mais esdrúxulos para banheiro. Há papel higiênico de todas as cores imagináveis, incluindo o preto, e com as estampas mais diversas; material para quem gosta de ler no banheiro, como "O grande livro do pequeno canto"; escovas de limpar privada com haste e apoio em aço inox, ou então em cerâmica, com a forma de um gato sentado; sabões líquidos com vários tipos de fragrâncias e embalagens criativas; papeis de parede e até projetos para fazer construir o banheiro da Maria Antonieta na sua casa!

Tudo bem que para utilizar o toalete tinha-se que pagar €1.00, mas valeu a pena para ver algo tão diferente. E o mais divertido foi sairmos com a maior cara de descoladas, vendo as outras mulheres na fila com a mesma cara de "será que eu estou no lugar certo?" que estávamos antes de entrar.

Próxima parada: praça de alimentação. O lugar era bem amplo e com muita variedade quanto ao tipo de comida, além de ter um preço bem em conta. O Ivan manteve o foco na tradição francesa e comeu uma quiche, eu preferi uma paella e os demais se divertiram com outras opções.

Recarregadas as baterias, agora era hora de enfrentar a fila para chegar ao Louvre. Fomos seguindo as placas indicativas da direção a tomar para se chegar ao Museu e, de repente, demos de cara com a pirâmide invertida.


A visão nos animou bastante e seguimos por um corredor largo, do mesmo tipo dos que havia no shopping. A certa altura havia uma máquina de verificar bagagens com raio-X, como as de aeroporto e a que encaramos ao visitar a Sainte-Chapelle. Colocamos nossas bolsas e mochilas, sem parar de conversar, pegamos tudo do outro lado, ainda papeando, e então nos vimos num ENORME saguão, iluminado pela luz natural de uma imensa pirâmide acima dele, e descobrimos que já estávamos no Louvre!


Fomos pegar os folhetos com o mapa do Museu e o Luís ficou tão entusiasmado por já estarmos onde ele queria tanto visitar, que acabou dando um abraço numa das moças uniformizadas que auxiliam os visitantes, aproveitando-se do fato dela falar português.

Faltavam cerca de dez minutos para as 16h e sabíamos que, nesse dia (quarta-feira) o horário do Louvre vai até às 22h. Mesmo assim teríamos que selecionar o que ver, tanto pela quantidade de obras expostas, quanto pela forma como gostamos de observar e realmente curtir as peças. E para ninguém ficar "amarrado", tendo que aguardar alguém mais lento ou precisando se apressar quando gostaria de apreciar uma obra com mais cuidado, resolvemos que cada um seguiria de acordo com a própria vontade. Marcamos de nos encontrar novamente no mesmo saguão às 19:30h para saber se iríamos continuar a visita ou se alguém preferiria seguir para o hotel, e então adentramos o mundo maravilhoso das artes.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Rumo a Place de la Concorde

Saímos da cripta arqueológica da Notre Dame, que estava um forno, e fomos passar mais calor ainda na rua. Estávamos todos querendo - e precisando - nos "hidratar" segundo a terminologia do Luís, mas decidimos pegar o metrô e procurar um local pra fazer isso perto da Place de la Concorde, nossa próxima parada.

Emergimos perto da praça, o calor castigando, e seguimos uma das ruas em direção à Madeleine (a igreja que, até a restauração da Notre-Dame, foi a catedral de Paris), que chama a atenção por sua arquitetura de templo clássico grego.


Essa é uma região de comércio de alto nível, como percebemos ao entrar num misto de padaria e lanchonete chique pra tomar a nossa cerveja. Sentamos no balcão e fomos atendidos por um garçom que era tudo de bom! A única coisa não tão boa foi o preço, mas como eram apenas quatro cervejas e um refrigerante, o prejuízo não foi nada do outro mundo. Pior se tivéssemos entrado no Maxim's, que ficava logo à esquerda, no comecinho da Rue Royale...

Voltamos em direção à praça e começamos a observar e admirar seu entorno. Os dois prédios que ladeavam a rua por onde viemos fazem parte do projeto que criou a praça inteira e que foi desenvolvido por Ange-Jacques Gabriel na segunda metade do século XVIII. Ambos são idênticos e, atualmente, o da direita pertence à Marinha, enquanto que o da esquerda foi dividido em quatro lotes e cedidos à particulares.



O projeto original, aliás, se iniciou com a decisão de encontrar o melhor local para erigir uma estátua equestre de Luís XV para comemorar seu restabelecimento de uma doença. Inaugurada 15 anos após o nascimento da ideia e dando seu nome à praça, a estátua permaneceu nesse local por quase 30 anos, quando foi arremessada de seu pedestal no período da Revolução Francesa. Batizada de Praça da Revolução, nela foi erguida a guilhotinha onde ocorreu a execução da família real e de mais de mil outros condenados.

No refluxo da Revolução, Luís XVIII (irmão do rei que perdeu a cabeça, exilado em 1791 para não sofrer o mesmo destino, e que precisou esperar a abdicação de Napoleão, em 1814, para assumir o trono), pretendeu erigir no centro da praça um monumento em homenagem a seu irmão guilhotinado.

Esses planos foram assumidos por seu sucessor e irmão mais novo, Carlos X, que batizou a praça com o nome de Luís XVI. A estátua, porém, nunca foi erguida, pois a revolução de 1830 interrompeu os planos do rei, forçando sua abdicação e uma série de movimentos políticos que fizeram subir ao poder o rei Luís Felipe I, conhecido também como "o rei burguês", responsável por um regime mais liberal. É nesse momento que a praça recebe seu nome definitivo, como para sinalizar o fim dos violentos conflitos políticos que vinham ocorrendo desde o final do século anterior. 


Em 1831, o vice-rei do Egito ofereceu à França os dois obeliscos que marcavam o palácio de Ramsés II e Luís Felipe decidiu erguer um deles na Place de la Concorde onde "ele não lembrará nenhum acontecimento político".  
















 
 


Com mais de 22m de altura e pesando 227 toneladas, transportá-lo e erguê-lo foi uma verdadeira proeza, contada por meio de imagens e textos na base de 9m construída para acomodá-lo.







Os hieróglifos em seu corpo exaltam o faraó Ramsés II e a pirâmide dourada que cobre seu topo, feita em cobre e folhas de ouro, foi colocada em 1998.








Na primeira metade do século XIX, Jacques-Ignace Hittorff alterou alguns aspectos da praça obedecendo ao projeto original de Ange-Jacques Gabriel. Respeitando a proposta de um contorno octogonal, foram erigidas estátuas alegóricas de oito cidades francesas, como Lille...








... Brest,...











... Rouen...
















... e Strasbourg, entre outras. Sobre essa última alegoria, há um dado interessante: ao final da guerra franco-prussiana, os prussianos vitoriosos unificaram os territórios de fala e origem germânica criando a Alemanha, e entre as exigências feitas aos franceses derrotados, estava a cessão das regiões da Alsácia e da Lorena. Por esse motivo, a partir de 1871 a alegoria de Strasbourg foi coberta com um veu negro, retirado apenas com o fim da Primeira Grande Guerra, quando a França retomou esse território.

Todas as estátuas têm em comum uma espécie de coroa em forma de fortaleza, decerto identificando as muralhas da cidade, e estão sentadas ou com os pés apoiados sobre canhões, o que indica a ocorrência de guerras para que fossem conquistadas ou libertadas. Porém, cada uma delas carrega objetos diferentes: uma espada, o caduceu de Mercúrio, um pergaminho...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A vingança do Luís

Saímos do bateaux felizes e tranquilos, comentando ainda sobre o que tínhamos visto, e seguimos para a van sem qualquer pressa. Demoramos um pouco para encontrar o sr. Marques, porque havia muitos guias aguardando os grupos que tinham feito o passeio, mas havia sido muita ingenuidade nossa achar que as Gap Girls chegariam primeiro. Se o padrão delas era o atraso, por que exatamente nesse momento iriam cumprir o horário? Claro que não! Devem ter parado na lojinha ou qualquer outra coisa do gênero, de modo que nos acomodamos na van como quisemos.

Rejane e eu, que éramos as mais idosas do grupo - tirando o guia - nos aboletamos no banco da frente, junto com o sr. Marques. A Natália voltou pro mesmo lugar, a janela da esquerda do último banco, e o Ivan foi pro lugar na frente dela. O Luís ficou aguardando que as moças chegassem, com a porta aberta e batendo papo. Quando elas apareceram, 10 minutos depois do combinado, a mal educada entrou primeiro e se acomodou na janela da direita do último banco. Pra quê! O Luís simplesmente olhou pra ela com um olhar assassino e lascou: "Não senhora, quem vai sentar aí sou eu!"

A menina nem questionou, passou pro lugar do meio e ali ficou. O Luís sentou-se ao lado dela e as duas outras amigas ficaram na fileira de bancos do meio da van, sendo uma delas na janela.

Começou o passeio, a Rejane perguntando tudo e mais alguma coisa para o guia e ele informando com a maior boa vontade. Passamos novamente pela Place Vendôme, que à noite é ainda mais chique; pelo Invalides, cujo domo dourado e iluminado parece imagem de conto de fadas; pela pirâmide do Louvre, hoje quase tão característica de Paris quanto a Torre Eiffel; pela ponte Alexandre III toda iluminada, tudo maravilhoso.

Entre as várias informações que o sr. Marques passou, destacou o fato de que Paris é agitada assim em julho não só por conta dos turistas, mas principalmente por ser verão. Durante oito ou nove meses do ano é frio, e no inverno, segundo ele, muito frio, o que faz com que as pessoas evitem circular pelas ruas a não ser em caso de necessidade. Nos três meses mais quentes, o povo aproveita e não quer saber de ir pra casa, por isso o clima de festa permanente que víamos por onde passávamos.

A Gap Girl malcriada, sentada no meio e no banco de trás, não viu praticamente nada. No caso das outras duas, como uma estava na janela, muitas vezes se afastava para deixar a que estava a seu lado ver alguma coisa, mas a mal educada, sentada entre a Natália e o Luís e tendo as próprias amigas mais a Rejane e eu na frente, ficou sem chance de ver qualquer coisa. Até a Natália, que é durona, acabou ficando com pena da moça.

A essa altura estávamos os cinco morrendo de fome, pois a última refeição havia sido o almoço no Quartier Latin, antes da Sainte-Chapelle e da Conciergerie. Ao final do tour o sr. Marques nos deixou na praça da Bastilha, onde há vários restaurantes e lanchonetes que ficam abertos até tarde (já era meia-noite) para que resolvessemos nosso problema.

Entramos em um deles e acabamos pedindo pizza, que era o mais rápido e mais em conta também. Foi uma refeição bem "meia-boca", creio que a pior que fizemos na viagem toda, mas a essa altura nem dava pra reclamar. Voltamos a pé para o hotel - eram uns quatro ou cinco quarteirões - já nos preparando para os passeios do dia seguinte e dando graças por estarmos por nossa conta a partir desse momento, o que nos livraria de aguentar as Gap Girls novamente.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Escargots!

Saindo da Notre-Dame, seguimos para o Quartier Latin e nesse dia resolvemos fazer a coisa certa e comer na hora de comer. Isso porque, nos dias anteriores, ficamos tão empolgados com o que estávamos vendo que fomos deixando pra almoçar mais tarde e não aproveitamos as possibilidades que os restaurantes oferecem. Entre meio-dia e duas da tarde, a maioria dos restaurantes oferecem o plate de jour: por um valor que varia entre € 10,00 e € 17,00 (dependendo do bairro e do restaurante) é possível escolher uma entrada e um prato principal ou um prato principal e uma sobremesa. No caso do Quartier Latin, como é tradicionalmente local de estudantes e mochileiro era possível ter um almoço completo, com entrada, prato principal e sobremesa.








A variedade de restaurantes é enorme: cozinha francesa provençal, frutos do mar, comida grega, pizza, sanduíche... Optamos por um que oferecia escargots entre as entradas do plate de jour.





O interior do lugar era super brega, com coisas penduradas nas paredes e no teto, parecendo aquelas cantinas italianas do Brás ou do Bixiga, em São Paulo, e por isso mesmo, muito à vontade e aconchegante. Havia até a cabeça de um javali empalhado numa das paredes, mas a foto dele não ficou boa.


Ivan e eu pedimos os escargots e fizemos bonito: usamos as pinças direitinho e tiramos os bichinhos de dentro das cascas com aquele garfinho chique sem fazer nenhum deles sair voando pela mesa. Apesar de muita gente ter nojo, o escargot tem a consistência parecida com a de um marisco e o sabor é principalmente o do tempero com o qual ele é preparado, geralmente bastante salsinha, azeite e alho.

Confirmamos nessa refeição que a hora de comer é o momento sagrado dos franceses. Eles normalmente correm o tempo todo: no trânsito, com a mão na buzinha e dirigindo como loucos, no metrô, correndo pela esquerda como se nunca mais fosse chegar um trem, na cidade, atravessando as ruas antes do sinal abrir. Porém, quando sentam-se pra comer, é o maior sossego.

O garçom chega com o cardápio e já traz o pão e a jarrinha com água. Volta uns minutos depois pra ver a bebida que escolhemos. Quando traz as bebidas, é só isso, não fica pra pegar o pedido, porque, afinal, temos que ter tempo pra escolher com calma entre as várias opções. Volta depois de algum tempo e pega os pedidos das entradas. Elas demoram um pouco mas valem a pena. Só quando acabamos com elas é que ele volta pra saber quais serão os pratos principais.

Nesse dia, a não ser a Rejane, escolhemos carne: boeuf borguignon (uma espécie de "cozido da mãe", conforme disse o Ivan, mas com um molho com vinho) e uma espécie de filé com molhos a escolher: bernaise (mais ou menos uma maionese quente, foi a escolha do Luís), au poivre (com pimenta, foi meu preferido) ou béchamel (o nosso conhecido molho branco).

Os pratos demoram um pouco e eu fiquei só imaginando como estariam meu irmão e minha cunhada se estivessem com a gente. Eles são super impacientes quando estamos num restaurante, ficam agoniados pra todo mundo escolher o que vai comer, escrevendo o pedido num guardanapo e passando pro garçom pra não perder tempo. Iam tem um troço!

Mas a espera valeu, a comida estava deliciosa e ainda deu tempo da gente trocar impressões sobre o que vimos. Uma das coisas que chama atenção é a maneira das francesas se vestirem. Como era verão, a maioria absoluta usava vestidos ou saias em tecidos leves e com estampas delicadas. Tudo muito feminino, bem diferente do esquema brasileiro em que a mulherada tem que se embalar a vácuo pra se sentir atraente. Lá não tem aquelas calças ou blusas super justas que parecem que vão estourar caso a pessoa dê um espirro, nem decotes exagerados ou calças quase no púbis. E nem por isso elas deixam de ser atraentes, com as sainhas curtas e esvoaçantes.

Após a sobremesa circulamos um pouco mais pelas ruas do Quartier Latin para seguir rumo à Saint Chapelle, nossa próxima parada. E só pra não passarmos por mentirosos dizendo que não vimos cachorros ou gatos pela rua, encontramos um gatinho embaixo da mesa de outro restaurante.