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quarta-feira, 21 de março de 2012

A Ópera de Paris

Da Galeria Lafayette ao edifício da Ópera a distância é bem pequena, mas sob o sol escaldante que fazia, não foi a caminhada mais agradável que fiz em Paris, principalmente porque aquela região é bastante movimentada, não apenas em relação aos carros, mas ao fluxo de pessoas pela calçada. Chegando lá tentei encontrar Luís e Ivan, conforme havíamos combinado... e nada!

Considerando que esperar debaixo de sol não seria a melhor coisa a fazer, paguei o ingresso (bem "salgado", por sinal, o mais caro entre todos os passeios que fizemos) e entrei.

O acesso aos andares superiores é feito por uma grande escadaria dupla, sob a qual há uma estátua e luminárias imitando velas. Impressionante o cuidado com os detalhes, como se percebe pelo teto sobre a estátua que, na verdade, é a parte de baixo do primeiro patamar das escadas.






















A partir da base da escadaria, a vista dos balcões, corredores abertos, colunas, lustres e detalhes decorativos é magnífica.


Impressionante também é o Grand Foyer, aposento destinado a acolher espectadores de todas as categorias sociais.
















Apesar de ter sido inspirado no Salão dos Espelhos de Versalhes, esse Foyer apresenta uma quantidade muito maior de elementos decorativos, o que é característico do estilo eclético, predominante na arquitetura da metade do século XIX ao início do século XX. A própria palavra ecletismo indica a liberdade de escolher o que se acha melhor, seja em arte ou filosofia, "casando" estilos que normalmente seriam incompatíveis. Portanto, a proposta do estilo era a criação de uma nova linguagem arquitetônica elaborada a partir da mistura de elementos dos estilos anteriores.

No caso específico da França, oi desenvolvimento do ecletismo foi responsabilidade das Academias de Belas Artes, e os estilos que compuseram essa nova linguagem foram, predominantemente, os da arquitetura renascentista, barroca e neoclássica. O objetivo era expressar a grandiosidade da época em que se vivia, as conquistas burguesas, as invenções e descobertas científicas que demonstravam a absoluta superioridade do homem branco europeu burguês capitalista sobre quaisquer outras populações, por meio de uma ornamentação que para nós, hoje, é até exagerado.

Vale lembrar que, com as devidas adaptações, esse é o estilo que predomina nos prédios da região central de São Paulo, onde podemos ver um edifício com um arco romano na fachada e janelas com arco ogival no andar de cima.


Mesmo nos pequenos detalhes, como portas internas, pisos e decorações de tetos, é possível perceber o gosto pela ostentação, típico do período em que o edifício foi construído.















Apesar do desejo de conhecer o salão principal, com o enorme lustre que pesa toneladas e a pintura de Chagall no teto, bem como as passagens subterrâneas que insipiraram a narrativa do Fantasma da Ópera, não foi possível fazer nada disso, pois estavam ocorrendo ensaios para um espetáculo próximo e a entrada de visitantes não era permitida.

Além disso, não consegui localizar Ivan e Luís dentro do prédio, o que não teria sido tão difícil, já que o espaço aberto à visitação era bastante restrito. Considerando ainda que havíamos marcado com a Carol e o Yuri, amigos do Ivan, de nos encontrarmos para o almoço, considerei que era hora de partir. Chorando os euros que havia gasto para entrar, acabei me retirando da Ópera sem ver a maior parte do que seria interessante.

Já do lado de fora, encontrei os dois rapazes suando ao sol, mas tendo feito todo um percurso do lado de fora do prédio. Eles acharam que não valia a pena pagar o preço exigido para entrar e se contentaram com as maravilhas que podiam ser apreciadas externamente.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Na Torre Eiffel

Dia 8 de julho, quinta-feira, acordamos no horário habitual para enfrentar as filas da Torre Eiffel. Pelo que nos haviam contado, elas eram imensas, coisa de 1 hora e meia à 2 horas de espera, tanto que já havíamos combinado de antemão que, de acordo com o tamanho da encrenca, decidiríamos o que fazer. Rejane e Natália faziam questão de fazer a visita, mesmo que demorasse; Ivan e eu não gostaríamos de perder tanto tempo apenas aguardando no mesmo lugar, e o Luís ainda não havia decidido.

Chegamos no local por volta das 9 da manhã, como sempre, e constatamos, satisfeitíssimos, que a fila era bem pequena, no máximo meia hora de espera. Excelente o fato da maioria dos turistas sair de seus hoteis por volta desse horário!


Ainda na fila para comprarmos os ingressos do elevador, o Ivan resolveu que iria subir a pé. Normalmente sou uma mãe desnaturada, que aparentemente não está nem aí para o que os filhos fazem, mas nessa hora me deu um chilique: como assim, subir 1665 degraus a pé? E se o corpo desse uma descompensada no meio do caminho, sem ninguém pra acudir?

A resposta do Ivan foi que a torre, para ele, não representava o mínimo atrativo, a única coisa que poderia valer a pena seria essa "aventura".
Encerramos a discussão com o seguinte acordo: ele subiria a pé os trezentos e tantos degraus até o primeiro nível e de lá pegaria o elevador para chegar ao mirante mais alto.

Enquanto ele se dirigia à escada, aproveitamos a espera na fila para fotografarmos detalhes da estrutura da torre, toda em treliças metálicas, idealizada pelo engenheiro Gustave Eiffel, também responsável pela armação da Estátua da Liberdade. 
Chegou nossa vez e entramos no elevador que leva ao primeiro nível. Só que aí começou o desencontro com o Ivan: quem compra o ingresso para ir até o alto da torre utiliza essa primeira parada apenas para sair de um elevador e dirigir-se até o outro, panorâmico, de onde é possível observar a paisagem de Paris através da estrutura da torre.


Isso significa que não pudemos circular por esse mirante mais baixo e, consequentemente, não tivemos como nos encontrar com o Ivan, que ficou esperando por nós durante horas e acabou não visitando o alto da torre.

Observar a cidade do alto da Torre foi simplesmente incrível, pois ela é a segunda construção mais alta da França, com 324m de altura, perdendo apenas para o Viaduto de Milau, construído em 2004.

Lá de cima podíamos ver toda a extensão do Campo de Marte, uma das maiores áreas verdes de Paris, que servia originalmente como campo de treinamento para as tropas francesas, e que vai da base da Torre até a Escola Militar.
Caminhando pelo mirante, tivemos também uma vista magnífica de Les Ivalides, com a cúpula dourada do edifício que abriga o túmulo de Napoleão Bonaparte, nossa próxima parada.

Continuando a contornar o mirante, vimos o Sena com o Grand Palais à esquerda e a ponte Alexandre III, com seus cavalos dourados,...


... e mais adiante, os edifícios administrativos relativos aos assuntos estrangeiros, de um lado do rio, e o Jardim das Tulherias com a roda gigante e o Museu do Louvre bem ao fundo, do outro lado.

 
Ainda fazendo a volta pelo mirante, tivemos uma vista incrível do Arco do Triunfo e a percepção, não tão incrível, da poluição que também afeta a cidade de Paris.


Do lado oposto ao Campo de Marte, bem próxima à base da Torre Eiffel, fica a ponte de Iena (cidade alemã que deu nome a uma das batalhas entre Napoleão Bonaparte e as tropas prussianas comandadas por Frederico Guilherme III. Claro que os franceses venceram, senão não teriam dado esse nome a uma das pontes de Paris), que leva aos Jardins do Trocadero e ao Palais de Chaillot.


O Palais abriga vários museus e, ao fundo da imagem, é visível o Bois de Boulogne, o maior parque de Paris, que conta com trilhas, áreas para prática de remo e caça ao pombo, cafés e restaurantes - mas que não visitamos por conta da distância e da escassa única semana que tivemos pra fazer muita coisa.

Observando o rio Sena no sentido oposto ao visto anteriormente, avistamos a Alée des Cygnes (Aleia dos Cisnes), uma ilha artificial com cerca de 800m que tem, em uma de suas extremidades, uma réplica exata, embora bem menor, da Estátua da Liberdade.


A estátua foi doada por americanos que viviam em Paris, unindo datas importantes para ambos os povos: 4 de julho - data da independência dos Estados Unidos - de 1889 - comemoração do centenário da Revolução Francesa.
Na margem direita do rio, para quem olha de cima da Torre, pudemos ver um edifício ultra moderno: é a Maison de la Radio, sede da rádio e emissora de televisão pública da França.

 

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Sorte de principiante

Já havia passado um pouco do horário do encontro com a Carol, e nada. Estávamos todos com calor e com muita fome, mas acabamos concordando com o Ivan de que deveríamos aguardar ao menos por mais meia hora. Próximo do Arco havia alguns quiosques que vendiam sanduíches e salgados, mas talvez, por já estar em Paris há alguns meses, a Carol conhecesse algum lugar mais interessante, portanto, continuamos aguardando.

Olhando para a pirâmide do Louvre à nossa frente e mais o monte de gente que estava na praça, só ficamos imaginando a maravilha que ia ser ficar na fila um tempão debaixo de sol. Aí a sede apertou, o que fez com que o Luís e a Rejane resolvessem entrar por um acesso ao subsolo - sabe-se lá o que haveria lá embaixo! - para ver se havia lanchonete, banheiro, essas instalações de primeira necessidade. 

Os dois voltaram com água e bastante animados: no subterrâneo ficava o "Carrousel du Louvre", uma espécie de pequeno shopping center ou galeria, com várias lojas e uma boa praça de alimentação. O Ivan teve a ideia de tentar entrar em contato com a Carol por um telefone público e, enfim, saímos do calor.

Fizemos um percurso de reconhecimento do local e encontramos algumas máquinas que vendiam ingressos para o Louvre, bastante semelhantes às que vendiam passagens no metrô. Elas funcionavam com cartão e nos atrapalhamos um pouco com as instruções, mas de um jeito ou de outro, fomos em frente. Na hora em que foi indicado o preço, ficamos na maior dúvida: será que é esse mesmo ou comprando na máquina haverá algum acréscimo? Na dúvida, acabamos abortando a operação e fomos atrás do telefone público. O problema foi conseguir fazê-lo funcionar: uma das indicações no aparelho esclarecia que ele funcionava com cartão. Tentei o meu, internacional, e nada! Outra informação indicava como fazer a ligação a cobrar. Tentamos, e também não deu certo.

Enquanto Ivan e eu lutávamos com o telefone, os outros três, circulando por perto, encontraram uma tabacaria em cuja vitrine havia um adesivo informando que ali eram vendidos ingressos para o Louvre. O Luís, como bom brasileiro, escolado em escapar de trambiques, ficou ligeiramente desconfiado... seria verdadeiro? Mas ali, "na boca" do Museu, dificilmente algum comerciante conseguiria ficar muito tempo vendendo ingressos falsos. Rejane e Natália vieram falar conosco, que a essa altura já havíamos desistido de contatar a Carol, e nós todos compramos nossos ingressos (por sinal, no mesmo valor cobrado na máquina).

Antes de nos dirigirmos à praça de alimentação, resolvemos procurar um banheiro, até porque seria muita falta de higiene almoçar sem antes lavar as mãos. Os rapazes encontraram um banheiro masculino facilmente, dos comuns e básicos, e nós três demos de cara com uma pequena fila num local indicado como toillete, mas que parecia uma loja.

O local ficava ao lado de um dos lances das largas escadas que havia no shopping e tinha uma entrada com vitrines cheias de objetos coloridos. Além disso, conseguimos ver que internamente não havia um corredor com vários boxes, e sim gôndolas e estantes nas paredes, todas cheias de produtos. Claro que uma de nós avançou até onde havia uma espécie de segurança para confirmar se ali era o toalete, e ao receber a resposta afirmativa, voltou para aguardar na fila, cada vez mais encafifada.

A resposta do mistério? Trata-se da "Point WC Paris", uma empresa de banheiros japonesa que não apenas oferece a comodidade de um local limpinho e perfumado - as atendentes, de terninho preto e devidamente maquiladas, entram após cada cliente utilizar o banheiro e limpam e desodorizam todo o espaço com os produtos da própria loja, incluindo maçaneta, comando da descarga e uma enxugada na pia -, mas também vende os produtos mais esdrúxulos para banheiro. Há papel higiênico de todas as cores imagináveis, incluindo o preto, e com as estampas mais diversas; material para quem gosta de ler no banheiro, como "O grande livro do pequeno canto"; escovas de limpar privada com haste e apoio em aço inox, ou então em cerâmica, com a forma de um gato sentado; sabões líquidos com vários tipos de fragrâncias e embalagens criativas; papeis de parede e até projetos para fazer construir o banheiro da Maria Antonieta na sua casa!

Tudo bem que para utilizar o toalete tinha-se que pagar €1.00, mas valeu a pena para ver algo tão diferente. E o mais divertido foi sairmos com a maior cara de descoladas, vendo as outras mulheres na fila com a mesma cara de "será que eu estou no lugar certo?" que estávamos antes de entrar.

Próxima parada: praça de alimentação. O lugar era bem amplo e com muita variedade quanto ao tipo de comida, além de ter um preço bem em conta. O Ivan manteve o foco na tradição francesa e comeu uma quiche, eu preferi uma paella e os demais se divertiram com outras opções.

Recarregadas as baterias, agora era hora de enfrentar a fila para chegar ao Louvre. Fomos seguindo as placas indicativas da direção a tomar para se chegar ao Museu e, de repente, demos de cara com a pirâmide invertida.


A visão nos animou bastante e seguimos por um corredor largo, do mesmo tipo dos que havia no shopping. A certa altura havia uma máquina de verificar bagagens com raio-X, como as de aeroporto e a que encaramos ao visitar a Sainte-Chapelle. Colocamos nossas bolsas e mochilas, sem parar de conversar, pegamos tudo do outro lado, ainda papeando, e então nos vimos num ENORME saguão, iluminado pela luz natural de uma imensa pirâmide acima dele, e descobrimos que já estávamos no Louvre!


Fomos pegar os folhetos com o mapa do Museu e o Luís ficou tão entusiasmado por já estarmos onde ele queria tanto visitar, que acabou dando um abraço numa das moças uniformizadas que auxiliam os visitantes, aproveitando-se do fato dela falar português.

Faltavam cerca de dez minutos para as 16h e sabíamos que, nesse dia (quarta-feira) o horário do Louvre vai até às 22h. Mesmo assim teríamos que selecionar o que ver, tanto pela quantidade de obras expostas, quanto pela forma como gostamos de observar e realmente curtir as peças. E para ninguém ficar "amarrado", tendo que aguardar alguém mais lento ou precisando se apressar quando gostaria de apreciar uma obra com mais cuidado, resolvemos que cada um seguiria de acordo com a própria vontade. Marcamos de nos encontrar novamente no mesmo saguão às 19:30h para saber se iríamos continuar a visita ou se alguém preferiria seguir para o hotel, e então adentramos o mundo maravilhoso das artes.

domingo, 23 de janeiro de 2011

As "malas"

Voltamos os três - Luís, Ivan e eu - ao hotel e fomos direto pro banho, de banheira, como merecíamos depois de tanta caminhada e de tanto calor. Antes do horário combinado para o passeio de bateaux o Luís sugeriu tomarmos uma cerveja "para hidratar". Detalhe: o Luís não bebia nada além de refrigerante e suco, mas em Paris e com a má influência de duas bebedoras de cerveja contumazes como Rejane e eu, não teve jeito.

Numa das esquinas da rua onde ficava nosso hotel ficava o barzinho do Pierre, muito agradável, com mesas na calçada, um chá gelado delicioso e uma cerveja ótima. Rejane e Natália preferiram continuar no hotel até a hora de sairmos, portanto apenas nós três fomos nos hidratar.

É curioso como nós, de São Paulo, já nos acostumamos a não conviver com fumantes em lugares públicos, mesmo que abertos, se houver toldos. Lá em Paris há muitos fumantes, e na parte externa dos barzinhos e restaurantes o cigarro é livre. Não chega a incomodar muito, principalmente no meu caso, que sou ex-fumante, mas já estranhamos quando isso acontece.

Retornamos ao hotel um pouco antes das 20h e nos encontramos com Rejane e Natália no saguão. Dali a pouco chegou o sr. Marques, um senhor português super simpático que seria nosso guia no passeio de bateaux pelo Sena e na vista de Paris à noite.

Ele se apresentou e seguimos para a van. Como somos todos bastante educados e éramos os primeiros a chegar, começamos a nos acomodar no último banco: Natália na janela, Ivan no meio e eu na outra janela. No banco do meio sentaram-se Rejane na janela e o Luís ficou no meio. Enquanto seguíamos para o hotel onde seriam pegas as outras três pessoas que também haviam contratado o passeio, o sr. Marques comentou que após sairmos do bateaux iríamos circular pela cidade para vermos os monumentos iluminados - Torre Eiffel, Arco do Triunfo, Invalides e outros -, mas tudo de dentro da van, pois não há local para estacionar próximo desses pontos turísticos para que possamos circular a pé por eles.

Continuando a conversa, chegamos à conclusão que seria interessante se todos nós ficássemos, após o passeio no Sena, numa das janelas da van ou então no banco da frente, ao lado do motorista, para termos uma visão razoável. Meio que na brincadeira comentamos que iríamos sair correndo do bateaux para a van, a não ser que as três pessoas que fossem ao passeio conosco fossem algumas das idosas que fizeram parte do grupo em que viajamos. Havia um grupo exatamente de três senhoras, uma delas com mais de 80 anos, todas super animadas e simpáticas.

Chegamos ao outro hotel e quem disse que as pessoas estavam prontas? Foram 20 minutos de atraso e, durante esse tempo, abrimos portas e janelas da van, já que com o motor desligado o ar condicionado não funciona. O próprio guia ficou encostado na van conversando conosco e reclamando como nós de pessoas que viajam em grupo e não respeitam horário. E eis que quem são as três criaturas que saem do hotel lépidas e fagueiras, num papo animado como se não estivessem empatando o passeio dos outros? As Gap Girls! Imaginem a nossa alegria...

Duas delas sentaram-se na frente, junto com o sr. Marques, e a terceira acomodou-se ao lado do Luís, numa das janelas do banco do meio. Dada a partida da van, foi ligado o ar condicionado. Todos nós fechamos as janelas da van, exceto a Gap Girl do banco do meio. O Luís, então, pediu com toda a educação possível que ela fechasse a janela para que o ar condicionado funcionasse corretamente, ao que a simpática garota bufou, resmungou um "que saco!" e tentou fechar a janelinha. Eu, que estava atrás dela, não ouvi o construtivo diálogo entre os dois e achei que ela não estivesse conseguindo fechar a janela, no que me prontifiquei a ajudar. Imagino que ela deve ter se estressado ainda mais, mas com certeza não menos que o Luís, que ficou puto da vida com a falta de educação da moça: além de atrasar e nem se dignar a se desculpar quando chegou na van, fazendo com que tivéssemos que pegar o bateaux das 21:30h ao invés do que saía meia hora antes, ainda foi grossa pra caramba com um pedido banal.




Chegamos aos pés da Torre Eiffel, de onde saía o nosso barco, e o sr. Marques disse que estaria nos esperando quando voltássemos, já que o passeio é de ida e volta ao mesmo ponto.









Ao tentarmos inserir nosso ingresso para entrar na fila do barco das 21:30h, nada feito, porque originalmente iríamos pegar o das 21h. O sr. Marques já havia sumido com a van, porque há um local para deixar os passageiros e outro para estacionar os veículos. Ainda bem que logo vimos um rapazinho da própria empresa dos barcos que veio em nosso socorro e trocou nossos ingressos. As Gap Girls, em seu ritmo "atraso sim, e daí?" estavam bastante atrás de nós e ficamos na torcida para que se atrapalhassem muuuuuuuito com os ingressos, mas aí era pedir demais: eram todas jovens e bonitinhas, rapidamente o moço percebeu que o problema delas era o mesmo que o nosso e foi trocar os bilhetes.

Há inúmeros barcos que fazem o passeio pelo Sena, o nosso era o mais simples, apenas deslizar pelo rio olhando os monumentos. Havia um aparelho com fone de ouvido com as informações sobre vários pontos avistados no qual podíamos escolher uma enorme variedade de línguas para ouvi-las, além de um guia que dava algumas informações gerais em francês, inglês e espanhol. Mas no caminho vimos barcos de todo o tipo: com cobertura transparente e mesas de jantar; com gente com roupa social, chiquérrima, e pouquíssimas mesas com cristais e louças lindas, que devia custar os olhos da cara; com área aberta como o nosso, mas com bar interno; com mesas e pista de dança, e a música comendo solta... Porém nada disso desmereceu o nosso passeio, que valeu a pena, inclusive porque pegamos o pôr-do-sol e tivemos uma visão diferente de vários locais que já havíamos visitado e por onde havíamos passado durante o dia.

sábado, 24 de julho de 2010

Place de Saint Michel

Nosso passeio pelo Quartier Latin iria se iniciar na place de Saint Michel e, para chegarmos até lá, fomos caminhando em direção ao Sena para cruzá-lo por uma de suas pontes. A intenção era passar primeiro pela Île de la Cité e comprar os ingressos para visitar a Conciergerie e a Saint Chapelle no dia seguinte, porém fomos informados que os ingressos valiam apenas para o dia em que foram adquiridos. Como não estávamos com pressa, continuamos caminhando e passamos pelo prédio do Tribunal do Comércio...














... e pelo Palácio da Justiça. Como se pode perceber pela fotografia, uma das formas comuns das pessoas se deslocarem pela cidade é de bicicleta. Em várias esquinas de Paris há bicicletas à disposição dos usuários: elas ficam presas a uma espécie de parquímetro, em grupos de 10 ou 12. Quem precisa da bike coloca a moeda no valor especificado (não fomos ver quanto era) e a libera. Pedala a magrela até onde quer, encontra outro "ponto" de biciletas e a prende novamente, para que a próxima pessoa interessada possa pegá-la.

Do outro lado da rua, em frente ao Palácio de Justiça, há uma praça bastante movimentada, com postes antigos incrivelmente conservados, bancos pra quem quiser descansar e uma estação de metrô no inconfundível estilo Art Nouveau.

















Depois de atravessarmos a Île de la Cité, tínhamos que pegar outra ponte, agora a de Saint Michel, pra chegar à praça de mesmo nome. Observamos que na calçada que bordeja o Sena há inúmeras bancas com livros, estilo sebo. Parecem caixas enormes que são fechadas à noite com cadeados pra que seu "dono" não precise transportar os livros diariamente. Nessa ponte havia escadas que desciam até o rio, e aproveitamos pra descer e tirar algumas fotos.

Subindo as escadas de volta, já era possível visualizar a fonte Saint Michel, onde o arcanjo, com uma espada cuja lâmina ondulada representa a chama divina, submete o demônio pisoteando-o.
















Nas duas laterais da fonte, estátuas de dois animais fantásticos, com cabeça, peito e patas dianteiras de felino e cauda de serpente, quem sabe um tipo exótico de dragão, cuspindo água.

A essa altura do passeio, acabou a bateria da máquina fotográfica do Luís. Rejane e ele ainda procuraram em algumas lojas de souvenirs, mas não houve jeito, e continuamos documentando o passeio com as câmeras da Natália e a minha.

A place Saint Michel era o ponto inicial de um roteiro a ser feito a pé pelo Quartier Latin que tínhamos visto num dos guias que a Rejane comprou antes da viagem, portanto, a partir dali, começamos a seguir o Ivan, que tinha ficado com o roteiro, e entramos nas ruas estreitas e típicas do bairro.


sexta-feira, 16 de julho de 2010

Rumo à Versalhes






Domingo, 3 de julho, um lindo céu azul. Antes das 8 da manhã já estavam todos tomando café.



Ao contrário do que se costuma divulgar, que sentiríamos falta de frutas frescas e que o desjejum europeu é "fraco" comparado ao que se vê em hoteis brasileiros, não pudemos reclamar do que foi servido. Não sei se houve alteração no café da manhã europeu ou se a coisa mudou em hoteis que têm parceria com empresas que trazem turistas do Brasil, mas o fato é que tínhamos à disposição salada de frutas (frescas e não em calda), granola, sucrilhos, iogurte (natural e de frutas, inclusive um de cereja, que não se vende por aqui, que era maravilhoso!), leite quente e frio, café, chá, chocolate, suco de laranja, pão de fôrma (com a torradeira para quem quisesse utilizar), baguete, croissant salgado e doce, ovos mexidos com bacon, dois ou três tipos de queijo (dependendo do dia), presunto, manteiga, mel e dois tipos de geleia. Ou seja, fizemos o que todo viajante sabe que deve fazer: tomar um café da manhã reforçado pra aguentar a "puxada" do dia e não precisar gastar demais em duas refeições fortes.

Às 8h30min, horário marcado pelo guia pra chegada do ônibus, nós e os outros hóspedes que haviam pago o pacote da CVC ainda em São Paulo já estávamos aguardando no saguão do hotel. Pena que nem todo mundo é tão pontual: o atraso foi de 20 minutos no hotel anterior ao nosso, e não foi maior porque o guia acabou deixando um casal que demorou demais. Passamos ainda para pegar mais pessoas e novo atraso, agora de uns 10 minutos, de três jovens que não haviam acabado de se arrumar.

Versalhes é um município no subúrbio de Paris, e apesar do Palácio ser o ponto mais importante do local, a cidade em torno é bastante movimentada e moderna.

Nosso guia, o Juan (cubano, na França, falando português... deu pra imaginar?), passou algumas informações básicas sobre Versalhes, que eu complementei por minha conta: o palácio começou a ser construído no início do século dezessete, no local onde havia originalmente o pavilhão de caça de Luís XIII, mas quem fez dele o luxo que é foi Luís XIV, o Rei-Sol.












Quando o "Luisinho" (Luís XIV, no dizer do Juan) tinha uns nove anos, estourou uma revolta conhecida como Fronde em que os nobres se voltaram contra o rei e seu primeiro-ministro, o cardeal Mazzarino. A família real passou por privações e humilhações e daí surgiu a ideia de construir um palácio mais afastado, onde não fosse tão fácil o acesso da população, nobre ou não. (Qualquer semelhança com a transferência da sede do governo federal brasileiro do Rio de Janeiro pra Brasília ou do palácio do governo do estado de São Paulo dos Campos Elíseos para o Morumbi NÃO é mera coincidência...)

Luís XIV era "o" cara: seu pai, o Luís XIII, nunca teve pleno controle do Estado, porque quem mandava mesmo era a Igreja Católica, primeiramente por meio do cardeal de Richelieu (e quem nunca leu a obra Os três mosqueteiros, de Alexandre Dumas, não sabe o que está perdendo. A rixa entre os mosqueteiros do rei e os soldados do cardeal estão presentes o tempo todo na trama) e depois com o controle do cardeal Mazzarino.






Quando o pai morreu, o "Luisinho" tinha apenas 5 anos e Mazzarino assumiu o papel de seu tutor além do de primeiro-ministro, que já possuía. Porém, com a morte do cardeal, Luís XIV deixou claro pra quem quisesse saber que ele mesmo seria seu próprio primeiro-ministro, ou seja, não ia ter pra ninguém!










Nosso ônibus parou numa das laterais do complexo de Versalhes, de onde pudemos ver o exterior da capela real.







O pátio em frente ao palácio é imenso, assim como era imensa a fila pra entrada, mas ela fluia com rapidez. Maior era a fila de quem ainda tinha que comprar ingresso, o que não era nosso caso, pois o passeio foi "comprado" ainda em São Paulo e o pessoal da CVC providenciou os bilhetes para o grupo.

Aliás, essa é outra dica importante: nem sempre o Museum Pass é útil, depende muito de quantos dias a pessoa vai passar na cidade e quantos locais aceitam esse ingresso (não são apenas museus, algumas igrejas e outros locais turísticos estão incluídos), mas comprar o bilhete com antecedência é sempre melhor. Em praticamente todos os locais há duas filas, uma pra quem já tem o ingresso e outra pra quem ainda vai comprá-lo e a primeira é sempre menor e mais rápida.