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sábado, 19 de maio de 2012

Maravilhas do edifício da Ópera

Da mesma forma que a Notre-Dame e outros monumentos arquitetônicos de Paris, a Ópera apresenta tanto o que apreciar do lado de dentro quanto do lado de fora, incluindo até mesmo o gradil em volta do edifício, que remete à música, com o detalhe em forma de lira.


















Arrematando as fachadas esquerda e direita do prédio, há duas estátuas douradas:

a Harmonia, sobre o arco representativo da coreografia,



















... e a Poesia, sobre o arco da poesia lírica.



















Correspondendo a essas estátuas, mas no nível do chão, há duas entradas em arco ladeadas por grupos escultóricos que representam a Poesia ou a Harmonia (dependendo da fonte, considera-se uma ou outra),

... a Música Instrumental,


... o Drama Lírico, com sua vítima agonizante,






... e a Dança, considerada uma escultura tão indecente que um indivíduo anônimo, indignado com a nudez dos personagens, lançou um vidro de tinta (dos que eram usados para as canetas-tinteiro de antigamente) sobre a obra na noite de 26 para 27 de agosto de 1869.

A riqueza de detalhes arquitetônicos e escultóricos não se limita à fachada principal, mesmo no acabamento de janelas superiores que ficam na parte de trás do edifício, nota-se o cuidado com o acabamento e as referências à arte clássica, como as máscaras típicas do teatro grego.


Essas máscaras, aliás, são encontradas decorando vários pontos da Ópera, algumas vezes representadas de forma mais realista, como faces de mulheres. Um desses conjuntos ladeia o busto de Atena, reconhecida pela figura da Medusa colocada como um broche sobre seu peito.

Mas nem só da mitologia greco-romana vêm a inspiração para "povoar" o Palais Garnier: bustos de bronze de grandes compositores também  têm seu espaço entre as colunas da fachada, onde podemos identificar Beethoven e Mozart, com as datas dos respectivos nascimento e morte.


Curiosas são as máscaras colocadas no acabamento do telhado, em dourado. De longe parece um rendilhado, mas olhando-se com atenção, é possível perceber que são várias máscaras com expressões diversas, novamente remetendo à atividade teatral.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

No alto da Sacré-Coeur e descendo

Ao observar de cima o entorno da basílica, vimos prédios belos e diferentes, característicos de locais com uma longa história atrás de si.

A construção de pedra é muito bonita, e as pequenas chaminés são bastante curiosas, coisa que até então só havíamos visto em filmes.
















Além da vista maravilhosa da cidade, da qual começávamos a nos despedir,...


... também era possível ter uma visão geral dos jardins que ficam na frente da basílica, descendo Montmartre.


Nas paredes internas do domo, uma série de relevos com linhas entrelaçadas, elemento característico da cultura celta que, posteriormente, foi adotado pelo mundo cristão medieval. O próprio trísquelo - ou trisquelion - passou a representar o caráter trinitário de Deus, expresso pela Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo.

Uma pena o fato de estar tudo pixado, rabiscado com as assinaturas das belezinhas que sobem ao domo e acham que alguém está se importando em saber que elas conseguiram. Infelizmente, turista é turista em todo lugar...







Ainda bem, no entanto, que alguns dos que deixaram sua mensagem no alto do Sagrado Coração foram mais criativos e românticos.


E,obviamente, nem todos os turistas eram trogloditas como uma menina (brasileira) que vimos enquanto aguardávamos para subir às torres da Notre-Dame, no início da semana, que olhou o tamanho da fila e lascou: "Vê lá se vou perder uma hora da minha vida numa fila pra ver pedra!"

Além de nós, que formos turistas exemplares - excetuando-se a passagem pela catraca do metrô sem pagar -, encontramos no domo da Sacré-Coeur um grupo de coreanos super simpáticos, que bateram a única foto em que nosso grupo aparece junto.


Depois que a Natália se fartou de observar os rapazes coreanos (uma preferência pessoal) e nós de olhar a cidade lá de cima, iniciamos o percurso para baixo, parte naquelas escadas claustrofóbicas...


















... e parte ao ar livre, com direito ao odor de pombas e seus dejetos.



















Lá embaixo, tendo visto tudo o que era possível no Sagrado Coração, tivemos olhos para apreciar outras belas construções que cercam a basílica.


















sábado, 30 de julho de 2011

Na basílica do Sagrado Coração

A igreja atual recebeu o título de basílica, ou seja, um local de peregrinação, no ano de 1919, quando foi consagrada. Sua construção, iniciada em 1875, está ligada à guerra franco-prussiana, porém essa é uma as poucas unanimidades em sua história, já que existem várias versões para explicar o motivo de sua edificação.

Sabe-se que dois comerciantes da região, Alexandre Legentil e Hubert Rohault de Fleury, foram os responsáveis não apenas pela iniciativa de erguer a igreja, mas também por iniciarem os donativos e lutarem pelo financiamento junto ao Cardeal Arcebispo de Paris e aos órgãos legais. O que gera dúvidas é o motivo que os levou a fazer tal promessa: uma das versões afirma que, iniciados os conflitos entre a Prússia e a França, ambos fizeram a promessa de erguer um templo dedicado ao Sagrado Coração caso seu país resistisse às ofensivas do exército inimigo - o que não aconteceu, pois, iniciada em 1870, a guerra terminou no ano seguinte, com a derrota francesa e a assinatura de um tratado que criou a Alemanha como nação e passou para o controle desse novo país a Alsácia e a Lorena, regiões francesas ricas em ferro e carvão mineral.


Uma segunda versão defende que Alexandre e Hubert tinham uma visão espiritual a respeito dos problemas que seu país atravessava, como a guerra com a Prússia e a crise ocorrida com a criação da Comuna de Paris, o primeiro governo operário da história. Nesse caso, a construção da igreja seria uma forma de reparação, penitência pelos pecados cometidos pela população.

Outra explicação, por fim, defende que a igreja foi construída em homenagem aos 58 mil mortos da guerra franco-prussiana. Porém, qualquer que tenha sido o motivo de sua construção, a igreja é uma das referências da cidade, com sua cúpula central erguendo-se a 80 metros de altura, circundada por quatro cúpulas menores, todas em estilo bizantino, e seus arcos e colunas típicamente romanos.

À frente da cúpula central há uma enorme estátua do Sagrado Coração, que dá nome à igreja...

















... ladeada por estátuas de Luís IX, o São Luís, que trouxe a coroa de espinhos de Cristo para a França... 

















... e de Joana D'Arc, a santa padroeira da França.




















Infelizmente não é permitido fotografar no interior da igreja, portanto, como nesse blog só há fotos feitas pelos viajores, não será possível visualizar o incrível mosaico de seu interior, o maior da França, que cobre 473 metros quadrados e levou quatro anos para ser completado. Ele não apenas é imenso e imponente, mas também maravilhoso em sua característica bizantina, com as auréolas douradas de Cristo, Maria e do anjo. A seus pés estão a Igreja, representada por um bispo, e a França, por uma mulher portando uma coroa, além da frase "No Coração Santíssimo de Jesus, a França fervorosa, penitente e agradecida."

Os detalhes bizantinos externos, porém, além de bastante evidentes, podem ser fotografados à vontade!


A Sacré-Coeur também tem três portais, como as igrejas góticas, mas sua decoração é bem mais sóbria. No tímpano do portal esquerdo há um relevo de Cristo conduzindo penitentes (ou talvez lagelando-os), sobre a frase Este templo é um penhor da penitência e da devoção.

















No portal central, o relevo mostra o momento em que Longinus, um centurião romano, perfura o flanco de Jesus. Sob o relevo, a frase Ao Santíssimo Coração de Jesus.


O último portal, do lado direito, tem em seu tímpano a representação de Cristo abençoando os sofredores, e sob a imagem, a frase A França, agradecida, dedica no dia 16 de outubro de 1919.

O curioso é que as frases tanto funcionam de forma independente, cada uma com seu sentido próprio, como podem formar um período mais longo: Esse templo, penhor de penitência e devoção, ao Santíssimo Coração de Jesus, a França, agradecida, dedica em 16 de outubro de 1919. Mais bizantino, impossível!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Rumo à Sacré-Coeur

Conforme acertado no dia anterior, após o café da manhã fizemos o check-out no hotel, deixamos nossas malas no guarda-volumes e seguimos para o metrô rumo a Montmartre.

Por todas as vezes que havíamos avistado a Sacré-Coeur, já sabíamos que ela ficava no alto da única colina que há em Paris, que é uma cidade bastante plana. Só que como pretendíamos subir ao domo da igreja para apreciar a vista, subir o morro para chegar até ela estava fora dos nossos planos, por mais que nos doesse o coração não poder fazer um passeio longo e descompromissado seguindo as pegadas de Amélie Poulain. Porém, antes esse tipo de dor no coração do que dor nas pernas...

A opção, portanto, foi tomar o metrô até a estação Anvers e de lá caminhar até o funicular. Como sempre saíamos cedo, as lojas no entorno estavam fechadas, o que não nos impediu de admirar uma loja apenas de doces: biscoitos, balas, bombons... a própria fornecedora da bruxa da história de João e Maria!



Continuamos caminhando e chegamos ao funicular, que é pago com o mesmo passe que é utilizado no metrô. A cabine sobe, pelo plano inclinado, até o alto da colina onde fica a igreja.
Montmartre é "monte dos mártires" e o local recebeu esse nome por ter sido o local do martírio de Saint Denis, o primeiro bispo de Paris, que teve a cabeça cortada pelos pagãos que não aceitavam o cristianismo no século III.








Adoramos a subida, principalmente porque precisávamos economizar as pernas.

















Apesar do acrílico das janelas da cabine estar bastante riscado, já dava pra ter uma ideia da vista que teríamos mais acima.


Saindo do funicular, o acesso à igreja é feito por uma escadaria bastante larga que tanto pode funcionar como local pra se posar pra fotos...


















... como local de onde Paris pede para ser fotografada.















No local onde está instalada a Sacré-Coeur, existia um mosteiro beneditino que foi destruído no período da Revolução Francesa, quando todos os religiosos que a ocupavam foram guilhotinhados. Porém, o local continuou a ser considerado sagrado, inclusive por ter sido visitado por várias figuras santas, como Saint Germain, Santa Clotilde (a esposa de Clóvis, o unificador dos francos), São Bernardo, Santa Joana D'Arc e São Vicente de Paula e por ter sido o local onde Santo Ignácio de Loyola e São Francisco Xavier fundaram a Companhia de Jesus em 1534.  
  
A construção atual diferencia-se das demais igrejas de Paris por dois motivos: o fato de ser dedicada ao Sagrado Coração, em oposição aos vários templos erguidos em homenagem à Virgem Maria, e por seu estilo romano-bizantino, que se destaca entre as construções góticas que predominam na cidade.

Construída em mármore travertino vinda da região de Seine-et-Marne, na própria França, a igreja mantém-se branca pelo fato dessa pedra exsudar cálcio constantemente, o que a protege da deterioração causada pelas chuvas e pela poluição.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O "Invalides" de Napoleão

O túmulo de Napoleão não é visto apenas de cima, há escadas de acesso para a cripta, no andar inferior, cuja entrada é guardada por duas estátuas douradas, a da esquerda representando seu poder real, como imperador, e a da direita simbolizando seu poder militar.



















Sobre a entrada da cripta está gravada a frase com o pedido que, supostamente, Napoleão fez quando preso na ilha de Santa Helena:


"Desejo que minhas cinzas repousem às margens do Sena, entre o povo francês a quem tanto amei."

Os símbolos da realeza e do poder de Napoleão estão também no piso da cripta, seja em forma da efígie que reafirma sua posição de imperador ou simplesmente com a coroa, que fala por si só.


Após passar pela porta, nos encontramos num espaço circular, cujas paredes são internamente decoradas com uma série de relevos. Todos eles, obviamente, referentes ao humilde ocupante do local.

Apesar de não haver qualquer indicação, esse deve referir-se ao traslado de seus restos mortais.
No centro da cripta, exatamente abaixo da abóbada central da igreja,  o esquife do General Bonaparte repousa desde 1861. São seis caixões colocados um dentro do outro, sendo um de folha de flandres, um de mogno, dois de chumbo, um de ébano e um de carvalho, sobre uma base de granito verde.


A seus pés fica o túmulo do "Rei de Roma", seu filho com a segunda mulher, Marie-Louise. E num dos nichos da parte interna da cripta, há uma estátua de Napoleão coroado como imperador, com o manto decorado com as flores de lis, a coroa na cabeça, o cetro e a orbe nas mãos.










Subindo de volta, surge à nossa frente o altar-mor da igreja, um monumento com todas as características da arte barroca.
 














As colunas são torneadas, dando ideia de movimento em função da predominância das formas curvas...

















... e os típicos anjinhos estão tanto no acabamento superior do altar, em torno do medalhão com as iniciais de São Luís,...


... quanto na base da balaustrada circular que envolve o altar.




















terça-feira, 19 de abril de 2011

A catedral dos inválidos

A catedral de les Invalides é um monumento impressionante que se destaca do restante do complexo arquitetônico, mais sóbrio e com características nitidamente clásssicas. São dois andares - duas ordens arquitetônicas - encimadas por um "tambor" sobre o qual está assentada a cúpula dourada, visível de praticamente qualquer ponto um pouco mais alto de Paris.


Os dois andares principais são absolutamente clássicos, com as colunas e um frontão triangular completando o pórtico superior, além das estátuas, algumas  em nichos, e os relevos dispostos simetricamente.



As duas estátuas que ladeiam a porta de entrada representam Luís IX, ou São Luís, o rei francês que participou de duas Cruzadas e trouxe para a França sua maior relíquia: a coroa de espinhos de Cristo,...













... e Carlos Magno, o fundador da dinastia carolíngia, criador de um grande império e responsável por um período de florescimento da arte e do conhecimento que é considerado o ponto de partida para as transformações pelas quais a Europa passou a partir do ano 1000.













O "tambor" e a cúpula dourada, no alto do edifício, não são mais considerados perfeitamente clássicos: as colunas duplas que sustentam o complexo não acompanham os pontos cardeais; a cúpula é oval e decorada com adornos dourados representando troféus; em seu topo há um pequeno pavilhão enviesado em relação à fachada, cujos ângulos são decorados com colunas encimadas por estátuas. No alto de tudo uma torre pontiaguda arrematada por uma cruz. Todo esse furor decorativo, além do metal dourado que torna o Invalides uma referência ao se avistar a cidade de cima, já é considerado um prenúncio do barroco.


A porta de entrada segue o mesmo princípio de decoração que demonstra poder e opulência: em sua parte fixa, o dourado predomina, seja em florões, imagens de anjos, escudos ou na flor-de-lis. 
























E a porta propriamente dita é de madeira inteiramente dourada, com um padrão de flores-de-lis e o escudo com as letras indicativas de Saint-Louis encimadas por um anjinho tipicamente barroco.








Vista por dentro, a cúpula é igualmente impressionante, com a luminosidade que entra pelas janelas e destaca o dourado da estrutura interna e as pinturas, verdadeiros quadros encimados pela cena central, em que se destaca um anjo portando a coroa de espinhos.


Outra cúpula que chama a atenção é a que fica sobre o esquife de José Bonaparte, irmão mais velho de Napoleão que foi coroado como rei da Espanha no período das invasões napoleônicas.














Apesar de menos impressionante do que a principal, essa cúpula segue o mesmo estilo, com elementos clássicos e barrocos, do qual se destacam a expressividade das figuras representadas e uma maior quantidade de linhas curvas e sinuosidades. 






Aliás, a catedral é um verdadeiro mausoléu, pois lá estão o túmulo de Sébastien Vauban, um arquieto militar francês responsável por tornar o reino de França impenetrável aos invasores durante o governo de Luís XIV...

... e do Marechal Foch, um dos grandes heróis franceses da 1ª Grande Guerra, responsável por vitórias decisivas que impediram a invasão de Paris pelos exércitos alemães.


Mas evidentemente, o esquife mais importante fica bem abaixo da cúpula principal, numa espécie de subsolo já visível por uma grande abertura circular que chama a atenção assim que se entra na catedral,...


... fazendo com que os turistas se debrucem para visualizar o túmulo - pouco exagerado - de Napoleão Bonaparte.