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sábado, 19 de maio de 2012

Maravilhas do edifício da Ópera

Da mesma forma que a Notre-Dame e outros monumentos arquitetônicos de Paris, a Ópera apresenta tanto o que apreciar do lado de dentro quanto do lado de fora, incluindo até mesmo o gradil em volta do edifício, que remete à música, com o detalhe em forma de lira.


















Arrematando as fachadas esquerda e direita do prédio, há duas estátuas douradas:

a Harmonia, sobre o arco representativo da coreografia,



















... e a Poesia, sobre o arco da poesia lírica.



















Correspondendo a essas estátuas, mas no nível do chão, há duas entradas em arco ladeadas por grupos escultóricos que representam a Poesia ou a Harmonia (dependendo da fonte, considera-se uma ou outra),

... a Música Instrumental,


... o Drama Lírico, com sua vítima agonizante,






... e a Dança, considerada uma escultura tão indecente que um indivíduo anônimo, indignado com a nudez dos personagens, lançou um vidro de tinta (dos que eram usados para as canetas-tinteiro de antigamente) sobre a obra na noite de 26 para 27 de agosto de 1869.

A riqueza de detalhes arquitetônicos e escultóricos não se limita à fachada principal, mesmo no acabamento de janelas superiores que ficam na parte de trás do edifício, nota-se o cuidado com o acabamento e as referências à arte clássica, como as máscaras típicas do teatro grego.


Essas máscaras, aliás, são encontradas decorando vários pontos da Ópera, algumas vezes representadas de forma mais realista, como faces de mulheres. Um desses conjuntos ladeia o busto de Atena, reconhecida pela figura da Medusa colocada como um broche sobre seu peito.

Mas nem só da mitologia greco-romana vêm a inspiração para "povoar" o Palais Garnier: bustos de bronze de grandes compositores também  têm seu espaço entre as colunas da fachada, onde podemos identificar Beethoven e Mozart, com as datas dos respectivos nascimento e morte.


Curiosas são as máscaras colocadas no acabamento do telhado, em dourado. De longe parece um rendilhado, mas olhando-se com atenção, é possível perceber que são várias máscaras com expressões diversas, novamente remetendo à atividade teatral.

quarta-feira, 21 de março de 2012

A Ópera de Paris

Da Galeria Lafayette ao edifício da Ópera a distância é bem pequena, mas sob o sol escaldante que fazia, não foi a caminhada mais agradável que fiz em Paris, principalmente porque aquela região é bastante movimentada, não apenas em relação aos carros, mas ao fluxo de pessoas pela calçada. Chegando lá tentei encontrar Luís e Ivan, conforme havíamos combinado... e nada!

Considerando que esperar debaixo de sol não seria a melhor coisa a fazer, paguei o ingresso (bem "salgado", por sinal, o mais caro entre todos os passeios que fizemos) e entrei.

O acesso aos andares superiores é feito por uma grande escadaria dupla, sob a qual há uma estátua e luminárias imitando velas. Impressionante o cuidado com os detalhes, como se percebe pelo teto sobre a estátua que, na verdade, é a parte de baixo do primeiro patamar das escadas.






















A partir da base da escadaria, a vista dos balcões, corredores abertos, colunas, lustres e detalhes decorativos é magnífica.


Impressionante também é o Grand Foyer, aposento destinado a acolher espectadores de todas as categorias sociais.
















Apesar de ter sido inspirado no Salão dos Espelhos de Versalhes, esse Foyer apresenta uma quantidade muito maior de elementos decorativos, o que é característico do estilo eclético, predominante na arquitetura da metade do século XIX ao início do século XX. A própria palavra ecletismo indica a liberdade de escolher o que se acha melhor, seja em arte ou filosofia, "casando" estilos que normalmente seriam incompatíveis. Portanto, a proposta do estilo era a criação de uma nova linguagem arquitetônica elaborada a partir da mistura de elementos dos estilos anteriores.

No caso específico da França, oi desenvolvimento do ecletismo foi responsabilidade das Academias de Belas Artes, e os estilos que compuseram essa nova linguagem foram, predominantemente, os da arquitetura renascentista, barroca e neoclássica. O objetivo era expressar a grandiosidade da época em que se vivia, as conquistas burguesas, as invenções e descobertas científicas que demonstravam a absoluta superioridade do homem branco europeu burguês capitalista sobre quaisquer outras populações, por meio de uma ornamentação que para nós, hoje, é até exagerado.

Vale lembrar que, com as devidas adaptações, esse é o estilo que predomina nos prédios da região central de São Paulo, onde podemos ver um edifício com um arco romano na fachada e janelas com arco ogival no andar de cima.


Mesmo nos pequenos detalhes, como portas internas, pisos e decorações de tetos, é possível perceber o gosto pela ostentação, típico do período em que o edifício foi construído.















Apesar do desejo de conhecer o salão principal, com o enorme lustre que pesa toneladas e a pintura de Chagall no teto, bem como as passagens subterrâneas que insipiraram a narrativa do Fantasma da Ópera, não foi possível fazer nada disso, pois estavam ocorrendo ensaios para um espetáculo próximo e a entrada de visitantes não era permitida.

Além disso, não consegui localizar Ivan e Luís dentro do prédio, o que não teria sido tão difícil, já que o espaço aberto à visitação era bastante restrito. Considerando ainda que havíamos marcado com a Carol e o Yuri, amigos do Ivan, de nos encontrarmos para o almoço, considerei que era hora de partir. Chorando os euros que havia gasto para entrar, acabei me retirando da Ópera sem ver a maior parte do que seria interessante.

Já do lado de fora, encontrei os dois rapazes suando ao sol, mas tendo feito todo um percurso do lado de fora do prédio. Eles acharam que não valia a pena pagar o preço exigido para entrar e se contentaram com as maravilhas que podiam ser apreciadas externamente.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Les Galeries Lafayette

Seguindo nosso caminho em direção ao Opera, passamos por mais uma bela igreja, dessa vez mais parecida com as que vemos aqui em São Paulo, cercada por ruas movimentadas e edifícios comerciais.

Era a igreja da Trindade, perto da qual paramos para verificar, num mapa turístico, se estávamos no rumo certo. Comecei a reclamar que faltava no mapa a tradicional indicação do "Você está aqui", quando ouvi uma voz conhecida dizer em bom português: "Só podia mesmo ser a Iara, brava desse jeito." Todos nós nos viramos pra olhar e foi muito gostoso encontrar um colega de trabalho que estava passeando com a esposa.








Conversa vai, conversa vem, acabamos seguindo nosso caminho e resolvemos nos separar: Rejane, Natália e eu queríamos dar uma olhada nas famosas Galerias Lafayette. Ninguém pretendia comprar nada, que consumismo não é a nossa praia, mas eu tinha ouvido falar que o prédio onde a galeria está instalada possui vitrais maravilhosos. Luís e Ivan decidiram ir diretamente ao edifício da Ópera de Paris e combinamos de nos encontrar por lá.

Ainda bem que nosso foco era mesmo a arquitetura do local, porque o impacto inicial não foi nada positivo. No andar térreo as lojas são verdadeiros stands organizadas em corredores estreitos. Do jeito que o lugar estava lotado, parecia mais uma 25 de março chique. Como meu interesse não eram os produtos à venda, ergui os olhos e fui recompensada com a maravilhosa visão dos detalhes da estrutura e da decoração dos andares superiores.




Os detalhes decorativos são fantásticos, todos de uma delicadeza ímpar, e um excelente trabalho de harmonização de cores.


O domo da galeria é arrematado por um vitral magnífico, cujos detalhes lembram as cores e formas das penas da cauda de um pavão.

















Pra não dizer que não compramos nada, fomos para a sessão de bebidas onde encontrei alguns xaropes que meu sobrinho, formado em gastronomia, utiliza para preparar uns drinques diferentes. Como no Brasil é mais difícil encontrá-los, bem como no free shop, aproveitei para não sair das famosas Galeries de mãos abanando. Tendo comprado tudo o que havia me proposto, resolvi seguir para o Opera. Natália e Rejane ficaram mais um pouco na galeria, xeretando as possibilidades.

O edifício onde funciona a Ópera de Paris é também conhecido como Palais Garnier, em homenagem ao arquiteto que planejou e supervisionou a tumultuada construção do local. A pedra angular do palácio foi colocada em 1861 e a inauguração oficial só ocorreu quatorze anos depois, sendo que, nesse meio tempo, Luís Napoleão tornou-se presidente e depois imperador francês; foi travada a guerra franco-prussiana, com a derrota da França e deposição de Napoleão III, e a Comuna de Paris se instalou e foi brutalmente reprimida.


O letreiro da fachada, indicando Academia Nacional de Músca, deve-se às inúmeras mudanças pelas quais passou o nome do local, de acordo com a organização do poder: império, república, comuna... O nome escolhido antes mesmo da conclusão do edifício foi "Academia Imperial de Músca", alterado para "Teatro Nacional de Ópera" até 1939, quando recebeu o título atual.

A primeira visão do edifício, porém, a partir da Galeria Lafayette, era da parte de trás, por onde era possível ver, ao longe, sobre o alto da empena sul, um grupo escultórico representando Apolo, Poesia e Música, ladeado por dois enormes pégasos de bronze.  

terça-feira, 4 de outubro de 2011

No alto da Sacré-Coeur e descendo

Ao observar de cima o entorno da basílica, vimos prédios belos e diferentes, característicos de locais com uma longa história atrás de si.

A construção de pedra é muito bonita, e as pequenas chaminés são bastante curiosas, coisa que até então só havíamos visto em filmes.
















Além da vista maravilhosa da cidade, da qual começávamos a nos despedir,...


... também era possível ter uma visão geral dos jardins que ficam na frente da basílica, descendo Montmartre.


Nas paredes internas do domo, uma série de relevos com linhas entrelaçadas, elemento característico da cultura celta que, posteriormente, foi adotado pelo mundo cristão medieval. O próprio trísquelo - ou trisquelion - passou a representar o caráter trinitário de Deus, expresso pela Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo.

Uma pena o fato de estar tudo pixado, rabiscado com as assinaturas das belezinhas que sobem ao domo e acham que alguém está se importando em saber que elas conseguiram. Infelizmente, turista é turista em todo lugar...







Ainda bem, no entanto, que alguns dos que deixaram sua mensagem no alto do Sagrado Coração foram mais criativos e românticos.


E,obviamente, nem todos os turistas eram trogloditas como uma menina (brasileira) que vimos enquanto aguardávamos para subir às torres da Notre-Dame, no início da semana, que olhou o tamanho da fila e lascou: "Vê lá se vou perder uma hora da minha vida numa fila pra ver pedra!"

Além de nós, que formos turistas exemplares - excetuando-se a passagem pela catraca do metrô sem pagar -, encontramos no domo da Sacré-Coeur um grupo de coreanos super simpáticos, que bateram a única foto em que nosso grupo aparece junto.


Depois que a Natália se fartou de observar os rapazes coreanos (uma preferência pessoal) e nós de olhar a cidade lá de cima, iniciamos o percurso para baixo, parte naquelas escadas claustrofóbicas...


















... e parte ao ar livre, com direito ao odor de pombas e seus dejetos.



















Lá embaixo, tendo visto tudo o que era possível no Sagrado Coração, tivemos olhos para apreciar outras belas construções que cercam a basílica.


















sábado, 30 de julho de 2011

Na basílica do Sagrado Coração

A igreja atual recebeu o título de basílica, ou seja, um local de peregrinação, no ano de 1919, quando foi consagrada. Sua construção, iniciada em 1875, está ligada à guerra franco-prussiana, porém essa é uma as poucas unanimidades em sua história, já que existem várias versões para explicar o motivo de sua edificação.

Sabe-se que dois comerciantes da região, Alexandre Legentil e Hubert Rohault de Fleury, foram os responsáveis não apenas pela iniciativa de erguer a igreja, mas também por iniciarem os donativos e lutarem pelo financiamento junto ao Cardeal Arcebispo de Paris e aos órgãos legais. O que gera dúvidas é o motivo que os levou a fazer tal promessa: uma das versões afirma que, iniciados os conflitos entre a Prússia e a França, ambos fizeram a promessa de erguer um templo dedicado ao Sagrado Coração caso seu país resistisse às ofensivas do exército inimigo - o que não aconteceu, pois, iniciada em 1870, a guerra terminou no ano seguinte, com a derrota francesa e a assinatura de um tratado que criou a Alemanha como nação e passou para o controle desse novo país a Alsácia e a Lorena, regiões francesas ricas em ferro e carvão mineral.


Uma segunda versão defende que Alexandre e Hubert tinham uma visão espiritual a respeito dos problemas que seu país atravessava, como a guerra com a Prússia e a crise ocorrida com a criação da Comuna de Paris, o primeiro governo operário da história. Nesse caso, a construção da igreja seria uma forma de reparação, penitência pelos pecados cometidos pela população.

Outra explicação, por fim, defende que a igreja foi construída em homenagem aos 58 mil mortos da guerra franco-prussiana. Porém, qualquer que tenha sido o motivo de sua construção, a igreja é uma das referências da cidade, com sua cúpula central erguendo-se a 80 metros de altura, circundada por quatro cúpulas menores, todas em estilo bizantino, e seus arcos e colunas típicamente romanos.

À frente da cúpula central há uma enorme estátua do Sagrado Coração, que dá nome à igreja...

















... ladeada por estátuas de Luís IX, o São Luís, que trouxe a coroa de espinhos de Cristo para a França... 

















... e de Joana D'Arc, a santa padroeira da França.




















Infelizmente não é permitido fotografar no interior da igreja, portanto, como nesse blog só há fotos feitas pelos viajores, não será possível visualizar o incrível mosaico de seu interior, o maior da França, que cobre 473 metros quadrados e levou quatro anos para ser completado. Ele não apenas é imenso e imponente, mas também maravilhoso em sua característica bizantina, com as auréolas douradas de Cristo, Maria e do anjo. A seus pés estão a Igreja, representada por um bispo, e a França, por uma mulher portando uma coroa, além da frase "No Coração Santíssimo de Jesus, a França fervorosa, penitente e agradecida."

Os detalhes bizantinos externos, porém, além de bastante evidentes, podem ser fotografados à vontade!


A Sacré-Coeur também tem três portais, como as igrejas góticas, mas sua decoração é bem mais sóbria. No tímpano do portal esquerdo há um relevo de Cristo conduzindo penitentes (ou talvez lagelando-os), sobre a frase Este templo é um penhor da penitência e da devoção.

















No portal central, o relevo mostra o momento em que Longinus, um centurião romano, perfura o flanco de Jesus. Sob o relevo, a frase Ao Santíssimo Coração de Jesus.


O último portal, do lado direito, tem em seu tímpano a representação de Cristo abençoando os sofredores, e sob a imagem, a frase A França, agradecida, dedica no dia 16 de outubro de 1919.

O curioso é que as frases tanto funcionam de forma independente, cada uma com seu sentido próprio, como podem formar um período mais longo: Esse templo, penhor de penitência e devoção, ao Santíssimo Coração de Jesus, a França, agradecida, dedica em 16 de outubro de 1919. Mais bizantino, impossível!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Rumo à Sacré-Coeur

Conforme acertado no dia anterior, após o café da manhã fizemos o check-out no hotel, deixamos nossas malas no guarda-volumes e seguimos para o metrô rumo a Montmartre.

Por todas as vezes que havíamos avistado a Sacré-Coeur, já sabíamos que ela ficava no alto da única colina que há em Paris, que é uma cidade bastante plana. Só que como pretendíamos subir ao domo da igreja para apreciar a vista, subir o morro para chegar até ela estava fora dos nossos planos, por mais que nos doesse o coração não poder fazer um passeio longo e descompromissado seguindo as pegadas de Amélie Poulain. Porém, antes esse tipo de dor no coração do que dor nas pernas...

A opção, portanto, foi tomar o metrô até a estação Anvers e de lá caminhar até o funicular. Como sempre saíamos cedo, as lojas no entorno estavam fechadas, o que não nos impediu de admirar uma loja apenas de doces: biscoitos, balas, bombons... a própria fornecedora da bruxa da história de João e Maria!



Continuamos caminhando e chegamos ao funicular, que é pago com o mesmo passe que é utilizado no metrô. A cabine sobe, pelo plano inclinado, até o alto da colina onde fica a igreja.
Montmartre é "monte dos mártires" e o local recebeu esse nome por ter sido o local do martírio de Saint Denis, o primeiro bispo de Paris, que teve a cabeça cortada pelos pagãos que não aceitavam o cristianismo no século III.








Adoramos a subida, principalmente porque precisávamos economizar as pernas.

















Apesar do acrílico das janelas da cabine estar bastante riscado, já dava pra ter uma ideia da vista que teríamos mais acima.


Saindo do funicular, o acesso à igreja é feito por uma escadaria bastante larga que tanto pode funcionar como local pra se posar pra fotos...


















... como local de onde Paris pede para ser fotografada.















No local onde está instalada a Sacré-Coeur, existia um mosteiro beneditino que foi destruído no período da Revolução Francesa, quando todos os religiosos que a ocupavam foram guilhotinhados. Porém, o local continuou a ser considerado sagrado, inclusive por ter sido visitado por várias figuras santas, como Saint Germain, Santa Clotilde (a esposa de Clóvis, o unificador dos francos), São Bernardo, Santa Joana D'Arc e São Vicente de Paula e por ter sido o local onde Santo Ignácio de Loyola e São Francisco Xavier fundaram a Companhia de Jesus em 1534.  
  
A construção atual diferencia-se das demais igrejas de Paris por dois motivos: o fato de ser dedicada ao Sagrado Coração, em oposição aos vários templos erguidos em homenagem à Virgem Maria, e por seu estilo romano-bizantino, que se destaca entre as construções góticas que predominam na cidade.

Construída em mármore travertino vinda da região de Seine-et-Marne, na própria França, a igreja mantém-se branca pelo fato dessa pedra exsudar cálcio constantemente, o que a protege da deterioração causada pelas chuvas e pela poluição.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Saladas e impressionistas

Saímos do Invalides em busca de um lugar para almoçar e nos lembramos de um restaurante simpático que ficava ao lado do local onde havíamos comido os crêpes. O lugar era bem gostoso, com mesas numa área aberta sombreada por um toldo e pelas árvores da calçada.

Rejane e eu pedimos saladas e não nos arrependemos. Não foi aquela saladinha de folhas básica pra quem está fazendo dieta, e sim uma salada de respeito! Uma era de arroz e a outra de macarrão, frios, naturalmente, e com uma variedade deliciosa de "incrementos": atum desfiado, tomate picado, cenoura ralada, champignon, azeitonas, lascas de parmesão, frango desfiado... Cada um delas com alguns desses itens, mas ambas com a mesma apresentação, que achamos genial: com fatias de pepino cortadas no sentido do comprimento, como se fossem faixas largas, é montado um aro, colocado no centro do prato, dentro do qual vai a "super salada". Em volta dele ficam as verduras: rúcula, alface, endívia e outras. Sobre tudo isso, um molho delicioso, à base de mostarda ou de azeite temperado. Pra acompanhar, vinho branco gelado e u-lá-lá!

Saímos de lá refeitos e seguimos para a estação de metrô que nos deixou no museu D'Orsay, a escolha da Rejane. Infelizmente, é proibido fotografar lá dentro, a máquina tem que ser deixada dentro da bolsa, na chapelaria, portanto só conseguimos imagens das estátuas de alguns bichinhos meigos e delicados que ficam do lado de fora.


Se por um lado é chato não poder fotografar - e depois mostrar aos amigos, comentar e relembrar - por outro é muito melhor durante a visita, pois sem a preocupação de escolher o que vai ser documentado, a apreciação é mais tranquila.

O Museu D'Orsay funciona numa antiga estação de trem, portanto já dá pra ter ideia do tamanho do local. A distribuição dos espaços era mais ou menos conforme o esquema a seguir (e me perdoem os conhecedores e arquitetos por todas as falhas que ele possa apresentar, a intenção é só facilitar a descrição). Não coloquei as escadas e os diversos acessos aos andares, porque aí também seria muita pretensão...


A entrada é pelo terraço e de lá há várias escadas para a galeria central, onde ficam as esculturas, ou para as laterais, onde estão os quadros. A partir dessas galerias há entradas para salas, que às vezes são ligadas entre si. Em algumas delas há subdivisões internas e paredes, que são altamente necessárias quando o negócio é exibir quadros.

Ao contrário do Louvre, onde me deliciei principalmente com as esculturas, no Orsay resolvi investir meu tempo e minha atenção aos quadros. Começamos pela longa galeria à direita, onde estão algumas obras impressionistas bastante importantes. O problema é que para se apreciar uma obra desse estilo como se deve, há que se dar uma certa distância do quadro, o que era impossível não só devido à largura da galeria, com quadros dos dois lados, mas porque havia muita gente. Além de serem muitas pessoas, elas "passeavam" pelo espaço central da galeria como se estivessem num shopping olhando as vitrines, sem parar para apreciar coisa alguma, conversando entre si, empurrando carrinhos de bebê e andando num ritmo constante, como se estivessem cumprindo uma obrigação.

Ainda bem que as salas internas eram mais vazias, já que o "dever" de entrar no Orsay não devia incluir uma visitação completa; olhar o que estava mais à mostra devia ser o suficiente.

O acervo exposto é simplesmente incrível, daria para passar dias observando com cuidado não só as obras em si, mas a própria história da arte, pelas diferenças de técnicas e concepções artísticas que se sucedem, sala após sala.

Uma situação engraçada ocorreu na sala em que estão as obras de Gustave Courbet, um pintor realista que costumava escandalizar o público da época com seus nus. Uma de suas obras mais famosas é "A origem do mundo", que mostra o corpo de uma mulher nua, deitada, do início das coxas até os seios, com o ângulo de visão partindo de seus genitais. Como a obra é realista, dá pra imaginar o choque das pessoas ao dar de cara com "AQUILO"!

Para não causar constrangimentos, a tela fica numa das salas internas (na que eu desenhei no centro à esquerda), na parede interna, voltada para dentro, de modo que as pessoas que passam na galeria ou apenas dão uma espiada na sala não a veem. Era curioso observar as pessoas que chegavam até ela: as mulheres, em geral, davam risadinhas, principalmente as orientais. Uma senhora fez cara de reprovação, mas o melhor foi um homem, americano, que entrou na sala com dois meninos pequenos, de 5 e 8 anos, mais ou menos. As crianças não viram o quadro logo que entraram, mas assim que o pai enxergou, fez cara de choque total e, notando que os filhos ainda não haviam percebido a imagem, comentou que ali não havia nada de interessante para ser visto e foi "tocando" os dois pra fora da sala.

Essas galerias e salas laterais não ocupam altura total do prédio, como é o caso da galeria central. Há um segundo andar com salas que expõem fotografias e, melhor que tudo, peças e mobiliário no estilo Art Nouveau. Ficamos simplesmente encantadas com a reprodução dos ambientes e lamentei não poder fotografá-los, pois seriam extremamente úteis nas aulas de História do Design.

Havíamos combinado um horário para nos encontrar e encerrar a visita, já que cada um seguiu por um caminho, de acordo com o interesse. Como era o penúltimo dia de nossa viagem e havíamos encarado caminhadas e escadas a semana inteira, o cansaço já estava se manifestando, mas nada que uma paradinha nos bancos da galeria central, apreciando as esculturas e a própria arquitetura interna do Museu, não resolvesse.

Passamos ainda na lanchonete, estrategicamente colocada sob o Terraço (aliás, há diversos lances de escadas levando a andares superiores, inferiores ou à meia altura, dependendo de onde se está), onde conseguimos encontrar água de uma das marcas que havíamos aprovado. Considerando o calor que enfrentaríamos do lado de fora, era necessário nos hidratarmos antes de sair.

Caminhamos até o metrô e lá, dentro da estação, uma agradável surpresa: um grupo de artistas de algum país da Europa Oriental - reconhecidos por nós pelo estilo da música - cantando e tocando.


A música nos deixou tão animados, que o Luís deu mais uma demonstração de seu cavalheirismo, ajudando uma mulher a levar o carrinho de bebê, COM o bebê dentro dele, escada acima, num dos locais onde não havia escada rolante.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Invalides: a igreja dos soldados e o museu das armas

Atrás do altar-mor da Catedral, no Invalides, há um arco envidraçado por onde se vê o altar de outra igreja em sentido contrário. Trata-se da igreja dos soldados, que ocupa a mesma construção, mas é menos decorada e cheia de dourado do que a "igreja da cúpula".

A impressão que se tem é que ambas compartilham o mesmo altar, só que no caso da igreja dos soldados, através do arco envidraçado.
Por se tratar de uma igreja militar, há bandeiras da França no altar e outras, representando as vitórias do exército francês, em todo o entorno da nave central.






Porém, considerando-se que se trata da mesma construção da Catedral - o arco envidraçado foi colocado apenas em 1873 - o dourado se faz presente na decoração do órgão...


... e do púlpito. 





















Saindo da igreja, Ivan, Luís e eu fomos visitar o Museu das Armas, que tem uma coleção incrível de armas antigas, incluindo peças medievais. Para nós que jogamos RPG, foi um deleite observar arcos, maças, escudos e armaduras com as quais lidamos apenas na imaginação.








Logo na entrada há um cavaleiro de armadura e lança, sobre um cavalo rampante.


















Na sequência vimos uma besta leve, como a que é utilizada pela minha personagem,...












... uma variedade de maças, arma preferida pelos "fortões" do grupo,...


... um escudo decorado com cenas de batalha,...


... e elmos de formatos estranhos e com decorações como um dragão ou a crista de um galo no topo da cabeça.























Enquanto isso, Rejane e Natália foram para a ala que guarda objetos pessoais de Napoleão e quadros que o representam, como esse, de Ingres.


Entre os objetos expostos, estão exemplares da Ordem Nacional da Legião de Honra, condecoração criada por Napoleão em 1802,...

... uma águia, símbolo de Napoleão, em bronze,...


... uma sela em veludo vermelho com bordados em ouro, adivinhem de quem?


Havia também, numa vitrine, uma série de objetos utilizados por Napoleão em suas campanhas: estojo de unhas, utensílios para barbear, jogo de talheres, galheteiro...


E para finalizar, um peitoral de armadura com um buraco enorme, causado, muito provavelmente, por arma de fogo.

(Coitado do cara que estava DENTRO da armadura...)
Depois de se fartar - e se emocionar - com a visão de tantos objetos pessoais e imgaens de Napoleão, as meninas foram nos encontrar pra resolvermos onde almoçar, pois ainda havia mais coisas pra fazer no período da tarde.